Miami (2 de novembro de 2026) – O jornalista e editor norte-americano Milton Coleman, que foi presidente da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), faleceu em 30 de outubro, aos 79 anos. Foi um firme defensor do direito do público à informação e de uma imprensa independente, plural e comprometida com a democracia.
Reconhecido por sua extensa trajetória no The Washington Post, onde ocupou diversos cargos editoriais, e por seu compromisso com o jornalismo, Coleman presidiu a organização hemisférica no período de 2011 a 2012, promovendo a defesa da liberdade de expressão e a adaptação da instituição às transformações da indústria da informação.
Eleito durante a 67ª Assembleia Geral da SIP, realizada em outubro de 2011, em Lima, no Peru, Coleman assumiu a presidência com uma convicção enraizada em sua própria experiência: a defesa da liberdade de imprensa também é uma luta pelos direitos humanos e pelo direito da sociedade de ser informada. Em seu discurso de posse, relembrou sua participação nas lutas pelos direitos civis nos Estados Unidos durante a década de 1960, assim como as detenções e ameaças que enfrentou ao longo da vida por seu ativismo e seu trabalho jornalístico.
Coleman foi o primeiro afro-americano a ocupar a presidência da SIP, conforme destacou naquele discurso. Ao assumir o cargo, reconheceu a trajetória da organização na defesa das liberdades de expressão e de imprensa, mas também ressaltou a necessidade de renovar suas estratégias para responder a um ambiente midiático em transformação.
Durante sua gestão, propôs ampliar a participação dos meios digitais, fortalecer a comunicação com as novas gerações e revisar os programas e o modelo de sustentabilidade financeira da instituição. Também defendeu o papel da SIP como uma organização capaz de mobilizar apoio internacional e promover ações concretas diante das restrições à liberdade de imprensa.
Sua preocupação com a situação do jornalismo nas Américas ficou evidente desde suas primeiras declarações como presidente. Ele apontou os desafios enfrentados por países como Equador, Venezuela, Honduras e México e manifestou especial preocupação com os assassinatos de jornalistas e as diversas formas de censura e pressão contra os meios de comunicação.
Antes de chegar à presidência da SIP, Coleman havia construído uma carreira de destaque no The Washington Post, onde ingressou em 1976. Em 1996, tornou-se o primeiro jornalista afro-americano a integrar a alta direção do jornal, como deputy managing editor (editor executivo adjunto). Em diferentes funções editoriais, promoveu maior diversidade nas redações e uma cobertura mais ampla das comunidades afro-americanas e latinas.
Também presidiu a American Society of News Editors (ASNE). Após se aposentar do The Washington Post, em 2012, atuou como ombudsman da Corporation for Public Broadcasting e como professor de ética e diversidade no jornalismo na Universidade Estadual do Arizona, segundo o jornal.
A trajetória de Coleman foi marcada pela defesa do direito à informação, pelo compromisso com a diversidade no jornalismo e pela convicção de que as organizações jornalísticas precisam se renovar para responder aos desafios de cada época. Sua passagem pela presidência da SIP deixou uma agenda que combinava a defesa firme da liberdade de imprensa com a necessidade de fortalecer e projetar a instituição para o futuro.
A SIP é uma organização sem fins lucrativos dedicada a defender e promover a liberdade de imprensa e a liberdade de expressão nas Américas. É composta por mais de 1.300 publicações no Hemisfério Ocidental e tem sede em Miami, Flórida, Estados Unidos.