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Violência.

A SIP condena assassinato de jornalista na Guatemala e alerta para o ciclo de impunidade

“Este crime não apenas enluta o jornalismo guatemalteco, mas também envia uma mensagem de intimidação a toda a imprensa da região”.

29 de abril de 2026 - 13:04

Miami (29 de abril de 2026) – A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) condena o assassinato do jornalista Carlos Humberto Cal Ical, na Guatemala, e instou as autoridades a conduzirem uma investigação exaustiva, transparente e oportuna que permita identificar os responsáveis, esclarecer a motivação do crime e levá-los à Justiça. A organização advertiu que este novo ataque aprofunda o ciclo de violência e impunidade que continua ameaçando o jornalismo nas Américas.

No dia 26 de abril, Cal Ical, de 45 anos, foi vítima de um ataque armado perpetrado por desconhecidos que dispararam contra ele ao menos cinco vezes, segundo relatos da imprensa. A agressão ocorreu perto de sua residência, no município de San Cristóbal Verapaz, no departamento de Alta Verapaz, a cerca de 80 quilômetros da Cidade da Guatemala.

O presidente da SIP, Pierre Manigault, expressou suas condolências à família do jornalista e sua solidariedade aos colegas guatemaltecos. Manigault — presidente do grupo Evening Post Publishing Inc., com sede em Charleston, Carolina do Sul — destacou que “o assassinato de um jornalista, somado à impunidade que costuma cercar a maioria desses crimes, constitui uma das mais graves violações à liberdade de imprensa que devemos enfrentar com urgência e determinação”.

Por sua vez, a presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação, Martha Ramos, afirmou: “Este crime não apenas enluta o jornalismo guatemalteco, mas também envia uma mensagem de intimidação a toda a imprensa da região”. Ramos, diretora editorial da Organización Editorial Mexicana (OEM), acrescentou que “não podemos permitir que a violência silencie o trabalho informativo. É imprescindível que o Estado garanta justiça e condições seguras para o exercício do jornalismo”.

A Associação de Jornalistas e Comunicadores Sociais de Alta Verapaz repudiou o assassinato, exigiu justiça e instou o Ministério Público a agir imediatamente, assim como o governo a implementar medidas de proteção efetivas para os jornalistas. A organização advertiu que a região onde ocorreu o crime “é particularmente perigosa para aqueles que cobrem conflitos sociais e ambientais”. Seu presidente, Renaldo Yash, assinalou que Cal Ical exercia o jornalismo por meio das redes sociais e, embora não tenham sido relatadas ameaças prévias, não se descarta que o assassinato esteja vinculado à sua atividade jornalística, segundo a imprensa local.

Na Guatemala — segundo o relatório aprovado na recente reunião semestral da SIP — persistem os ataques contra jornalistas em ambientes digitais, incluindo ameaças e assédio, bem como riscos de perseguição judicial vinculados à cobertura de temas sensíveis. No interior do país — ressalta o documento — a concentração de poder em autoridades locais e a influência de redes de crime organizado obrigam alguns repórteres a cobrir determinadas áreas onde não são conhecidos, como forma de reduzir riscos.

A SIP é uma organização sem fins lucrativos dedicada a defender e promover a liberdade de imprensa e a liberdade de expressão nas Américas. É composta por mais de 1.300 publicações no Hemisfério Ocidental e tem sede em Miami, Flórida, Estados Unidos.

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