Miami (10 de março de 2026) — A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) saúda a convocatória para a primeira edição da bolsa honorífica “Julio Daniel Chaparro Hurtado e Jorge Enrique Torres Navas: O que a violência levou”, uma iniciativa destinada a preservar a memória dos dois jornalistas colombianos assassinados em 24 de abril de 1991 enquanto realizavam trabalho jornalístico em Segovia, Antioquia.
O anúncio foi feito durante uma mesa de conversa da qual participaram Daniel Chaparro, filho do jornalista Julio Daniel Chaparro Hurtado e assessor da Fundação para a Liberdade de Imprensa (FLIP), em representação das famílias Chaparro e Torres; o fotojornalista Francisco Carranza; o jornalista Ignacio Gómez; e a moderadora Diana Díaz Soto, do Ministério das Culturas, das Artes e dos Saberes.
Durante o encontro, foi revisado o contexto histórico em que os jornalistas foram assassinados e a relevância desse caso para a história do jornalismo colombiano. Em um ambiente de camaradagem, Carranza e Gómez, contemporâneos de Chaparro e Torres, compartilharam lembranças e anedotas de seu trabalho ao lado dos jornalistas.
Gómez afirmou que “os assassinatos de Julio Daniel e Jorge provocaram uma grave fratura” no jornalismo colombiano e destacou o profundo impacto que o crime teve entre os jornalistas que trabalhavam nas zonas rurais do país. Carranza, por sua vez, recordou com respeito a forma como Torres realizava seu trabalho fotográfico em campo e os riscos que enfrentava em sua atividade.
Chaparro explicou que a bolsa vai além de uma medida de reparação e busca também destacar que “com o duplo homicídio foi desferido um golpe que deixou um grande vazio no jornalismo”. Segundo ele, a iniciativa convida a um exercício de memória e reflexão sobre o que a crônica jornalística perdeu com o assassinato de Julio Daniel Chaparro e o que deixou de contribuir para o fotojornalismo o trabalho de Jorge Enrique Torres.
A bolsa faz parte das medidas de reparação acordadas em um Acordo de Solução Amistosa assinado em 23 de abril de 2025 perante a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) no caso do poeta e jornalista Chaparro Hurtado e do fotógrafo Torres Navas. Nesse acordo, o Estado colombiano reconheceu sua responsabilidade internacional pela falta de devida diligência na investigação do crime.
A iniciativa prevê seis incentivos econômicos para projetos jornalísticos em três categorias: crônica jornalística regional; fotojornalismo ou fotografia documental; e novos formatos de jornalismo e comunicação popular ou comunitária. O programa busca incentivar a produção de histórias a partir de regiões da Colômbia onde o exercício do jornalismo enfrenta barreiras, silêncios ou contextos de violência.
A SIP, que junto com a FLIP atua como organização peticionária no caso perante a CIDH, destacou que esta convocatória constitui uma medida de satisfação voltada a preservar a memória das vítimas, promover garantias de não repetição e fortalecer o jornalismo.
As inscrições estarão abertas até 18 de março de 2026, e os projetos selecionados deverão ser desenvolvidos antes de novembro de 2026. Esta será a primeira de pelo menos três edições previstas no âmbito da medida de reparação. Para se candidatar, é possível acessar a convocatória no seguinte link.
A SIP é uma organização sem fins lucrativos dedicada a defender e promover a liberdade de imprensa e a liberdade de expressão nas Américas. É composta por mais de 1.300 publicações no Hemisfério Ocidental e tem sede em Miami, Flórida, Estados Unidos.