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Efeito inibidor.

A SIP alerta sobre grave escalada judicial contra o Grupo Granasa no Equador

“O uso do sistema penal e dos órgãos de controle para dirimir disputas que envolvem meios de comunicação gera um efeito inibidor profundamente prejudicial à liberdade de imprensa.”

16 de abril de 2026 - 10:39

Miami (16 de abril de 2026) - A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) expressa sua profunda preocupação e enérgica condenação diante da escalada de ações judiciais e administrativas no Equador contra o Grupo Granasa, empresa editora dos jornais Expreso e Extra, em um contexto que revela uma preocupante deterioração das garantias para o exercício da liberdade de imprensa no país.

Nos últimos dias, a situação alcançou um novo nível de gravidade com a denúncia penal por suposta associação ilícita contra vários diretores da Granasa, apresentada pelo liquidante da empresa Veranera S.A., Carlos Xavier Cadena Asencio, no âmbito de uma disputa pelo controle de 40% do pacote acionário da companhia, segundo informou o Expreso.

Entre as pessoas citadas no processo está Ingrid Francisca Martínez Leisker, acionista da empresa, cuja participação é objeto de controvérsia no litígio societário em curso. A denúncia foi apresentada perante a Promotoria de Guayas e inclui também seu presidente executivo, Galo Martínez Leisker, além de outros seis diretores do grupo editorial: José Gabriel Martínez Castro, Eduardo Carmigniani Valencia, Carlos Alfonso Martínez, Felipe Eduardo Terrero Martínez e Michelle Andreina Villamar Guerrero, além da mencionada Ingrid Francisca Martínez Leisker.

A denúncia não pode ser analisada de forma isolada nem exclusivamente sob uma ótica comercial ou penal. Pelo contrário, faz parte de um processo mais amplo que combina ações judiciais, administrativas e regulatórias que, segundo diversas denúncias, buscam incidir sobre a estrutura de propriedade e, potencialmente, sobre a linha editorial de um dos principais grupos jornalísticos do país, conforme documentado pela SIP.

O conflito tem origem em uma tentativa de reverter a transferência de ações realizada há vários anos, o que levou a uma cadeia de atuações institucionais — incluindo intervenções da Superintendência de Companhias, decisões judiciais e agora denúncias penais — que vêm sendo questionadas por sua rapidez, coordenação e efeitos cumulativos, de acordo com relatórios de imprensa.

Além disso, o próprio Grupo Granasa denunciou um “cenário complexo para a liberdade de expressão”, afirmando que instituições do Estado estariam sendo utilizadas como ferramentas de pressão política, em um contexto no qual meios críticos já enfrentaram anteriormente investigações por supostos delitos financeiros que não prosperaram.

Em paralelo, ações simbólicas como capas em branco dos jornais Expreso e Extra têm buscado alertar a opinião pública sobre o que consideram um padrão de assédio que transcende o âmbito judicial e se projeta como uma tentativa de controle ou condicionamento editorial.

“O uso do sistema penal e dos órgãos de controle para dirimir disputas que envolvem meios de comunicação gera um efeito inibidor profundamente prejudicial à liberdade de imprensa. Esse tipo de ação não afeta apenas uma empresa, mas envia uma mensagem de intimidação a todo o ecossistema informativo”, afirmou Pierre Manigault, presidente da SIP e do grupo Evening Post Publishing Inc., com sede em Charleston, Carolina do Sul, Estados Unidos.

Por sua vez, Martha Ramos, presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação, ressaltou: “Nos preocupa especialmente a acumulação de medidas — administrativas, judiciais e agora penais — que, em conjunto, podem resultar em uma forma indireta de censura. A independência editorial não pode ser condicionada por pressões estruturais do poder”, destacou Ramos, diretora editorial da Organização Editorial Mexicana (OEM).

A organização faz um apelo urgente às autoridades equatorianas para que garantam o respeito irrestrito aos princípios do devido processo legal, da segurança jurídica e da liberdade de expressão, evitando o uso de figuras penais ambíguas ou desproporcionais que possam levar à criminalização do exercício jornalístico ou à intervenção indevida em meios de comunicação.

A SIP é uma organização sem fins lucrativos dedicada a defender e promover a liberdade de imprensa e a liberdade de expressão nas Américas. É composta por mais de 1.300 publicações no Hemisfério Ocidental e tem sede em Miami, Flórida, Estados Unidos.

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