Miami (19 de fevereiro de 2026)– A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) manifesta sua preocupação com a intervenção na empresa Gráficos Nacionales S.A. (GRANASA), editora dos jornais diario Extra e Expreso, determinada pela Superintendência de Companhias do Equador. A organização exorta as autoridades a agir com transparência e estrito respeito ao devido processo.
Em um documento enviado em 18 de fevereiro ao presidente executivo e gerente-geral da GRANASA, Galo Eduardo Martínez Leisker, a Superintendência de Companhias informou sobre a intervenção da empresa “com o objetivo de supervisionar a evolução econômico-financeira e promover a correção das irregularidades identificadas, a fim de evitar prejuízos a seus sócios e/ou terceiros”, segundo informes da imprensa.
A medida da entidade incluiu a nomeação de uma interventora externa que deverá apresentar relatórios mensais sobre a situação da empresa, de acordo com meios locais.
O presidente da SIP, Pierre Manigault, considerou que “essa medida levanta sérias dúvidas sobre o respeito às garantias fundamentais do devido processo”. Manigault, presidente do grupo Evening Post Publishing Inc., com sede em Charleston, Estados Unidos, advertiu que “o controle sobre empresas independentes não pode, em nenhuma circunstância, tornar-se um mecanismo indireto de censura ou pressão editorial”.
Por sua vez, Martha Ramos, presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação, acrescentou que “a intervenção da GRANASA, nessas circunstâncias, representa um ato intimidatório que pode inibir o exercício do jornalismo livre e independente, ao gerar um clima de temor a possíveis represálias pela divulgação de informações e opiniões críticas”.
Ramos, diretora editorial da Organização Editorial Mexicana, pediu às instâncias responsáveis “que atuem com estrito respeito ao devido processo, garantam a transparência em suas ações e se abstenham de qualquer medida que possa ser interpretada como uma tentativa de restringir a liberdade de expressão”.
A organização Fundamedios rejeitou a medida e a classificou “como uma ação desproporcional e de alto risco para a independência editorial”, em uma mensagem na rede X. “Essa medida contra um meio crítico insere-se em um padrão de decisões e diretrizes estatais que restringem e pressionam a imprensa a partir de diferentes instituições públicas”, acrescentou a Fundamedios.
Ao se referir em detalhe às razões da medida, o jornal Expreso afirmou que “nada disso, nem a intervenção da Superintendência de Companhias, poderá dobrar a independência da linha editorial e informativa” dos jornais.
A SIP é uma organização sem fins lucrativos dedicada a defender e promover a liberdade de imprensa e a liberdade de expressão nas Américas. É composta por mais de 1.300 publicações no Hemisfério Ocidental e tem sede em Miami, Flórida, Estados Unidos.