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Violência.

A impunidade atinge o jornalismo no México: a SIP condena o assassinato de repórter em Veracruz

"Enquanto esses crimes permanecerem impunes, envia-se uma mensagem de tolerância à violência contra a imprensa.”

9 de enero de 2026 - 14:29

Miami (9 de janeiro de 2026) – A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) condena de forma enérgica o assassinato do jornalista Carlos Castro, ocorrido na cidade de Poza Rica, no estado de Veracruz, um crime que se soma a uma longa cadeia de agressões contra repórteres que permanecem sem punição. A organização adverte que a repetição desses fatos reflete falhas estruturais nos sistemas de proteção e de justiça e exorta as autoridades mexicanas a conduzirem uma investigação imediata, exaustiva e transparente que permita identificar e punir todos os responsáveis, materiais e intelectuais, e romper o ciclo de impunidade que continua ameaçando o exercício do jornalismo no país.

Na noite de 8 de janeiro, Castro, diretor do portal Código Norte Veracruz no Facebook, foi atacado a tiros por desconhecidos que entraram em um restaurante de propriedade de sua família em Poza Rica, no estado de Veracruz, segundo informações da imprensa.

O jornalista, de 26 anos, cobria temas de segurança e havia colaborado com os veículos Vanguardia, Noreste, La Opinión de Poza Rica e Enfoque. Ele havia denunciado ameaças e, em 2024, recebeu medidas de proteção por parte das autoridades estaduais, que teriam sido retiradas meses antes do crime, de acordo com a imprensa local.

“Lamentamos profundamente este novo homicídio e expressamos nossa solidariedade à família, aos colegas e aos amigos do jornalista”, afirmou Pierre Manigault, presidente da SIP. “O assassinato de um jornalista não silencia apenas uma voz, mas também viola o direito da sociedade de estar informada. Enquanto esses crimes permanecerem impunes, envia-se uma mensagem de tolerância à violência contra a imprensa”, acrescentou Manigault, presidente do grupo Evening Post Publishing Inc., de Charleston, Carolina do Sul, Estados Unidos.

Por sua vez, Martha Ramos, presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação da SIP, afirmou que “Veracruz continua sendo uma das regiões mais perigosas para o exercício do jornalismo no México, e o assassinato de Castro volta a evidenciar a grave vulnerabilidade em que trabalham os jornalistas, especialmente em nível local, assim como os persistentes níveis de impunidade que estimulam a repetição desses ataques”. Ramos, diretora editorial da Organização Editorial Mexicana (OEM), afirmou que “é imperativo que as autoridades federais e estaduais atuem com diligência e sem atrasos, considerando desde o início o trabalho jornalístico da vítima como uma linha prioritária de investigação”.

Os dirigentes da SIP reiteram seu apelo às autoridades mexicanas para que reforcem os mecanismos de proteção aos jornalistas, garantam condições de segurança para o exercício da atividade informativa e combatam de forma efetiva a impunidade que cerca os crimes contra a imprensa.

O assassinato de Castro é o primeiro registrado no México em 2026. De acordo com a Aliança de Mídias MX, no estado de Veracruz foram denunciadas, desde 2025, uma série de ataques, ameaças e casos de assédio judicial contra jornalistas, como o do jornalista Rafael León Segovia, acusado dos crimes de encobrimento por favorecimento e delitos contra as instituições de segurança pública, em fatos vinculados ao seu trabalho jornalístico, tendo-lhe sido imposta prisão domiciliar por um ano, segundo um pronunciamento da SIP.

O relatório mais recente da SIP sobre a situação da liberdade de imprensa no México adverte que o exercício da atividade jornalística continua se desenvolvendo em um contexto marcado por altos níveis de violência generalizada. Nesse cenário, o relatório divulgado em outubro pela SIP havia registrado o assassinato de três pessoas vinculadas de forma indireta a plataformas informativas informais e a redes sociais em 2024. No entanto, as evidências disponíveis indicam que esses fatos não estariam relacionados à sua atividade comunicacional, mas sim ao clima de insegurança e violência que afeta amplamente a sociedade mexicana.

A SIP é uma organização sem fins lucrativos dedicada a defender e promover a liberdade de imprensa e a liberdade de expressão nas Américas. É composta por mais de 1.300 publicações no Hemisfério Ocidental e tem sede em Miami, Flórida, Estados Unidos.

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