Miami (19 de maio de 2026) - A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) manifesta preocupação com uma série de agressões contra jornalistas registradas nos últimos dias na Bolívia durante a cobertura de protestos sociais em diferentes regiões do país. A organização hemisférica insta as autoridades a garantir condições seguras para o trabalho da imprensa.
Em uma semana, mais de 10 jornalistas foram agredidos e ficaram feridos enquanto cobriam mobilizações e episódios de tensão social em diferentes regiões do país, em um novo cenário de hostilidade que afeta o exercício do jornalismo, denunciou a Agência de Notícias Fides (ANF).
Entre outros casos, os jornalistas Vladimir Rojas, da Unitel, e Ramiro Charca, da Radio Televisión Popular (RTP), ficaram feridos em 16 de maio na localidade de Lipari, município de Mecapaca, como consequência de uma emboscada organizada por bloqueadores que atuavam a partir de áreas elevadas, de acordo com informações da Associação Nacional da Imprensa (ANP). Rojas foi detido violentamente e seu equipamento foi destruído, enquanto Charca sofreu lesões em decorrência do impacto de pedras. Outras equipes de imprensa também foram hostilizadas, e veículos de meios de comunicação foram danificados.
A SIP expressou preocupação com a violência contra o jornalismo independente durante os protestos que exigem a renúncia do presidente Rodrigo Paz. A organização alertou após as lesões sofridas pelo cinegrafista Hugo Machicado, da Gigavisión, devido ao impacto de dinamite em incidentes em 18 de maio em La Paz. Também foram denunciadas agressões com pedras, paus e gás lacrimogêneo, além de hostilização verbal contra outros jornalistas. Essa situação evidencia o crescente risco ao qual estão expostos os profissionais de imprensa no exercício de seu trabalho, segundo reportam meios locais.
O presidente da SIP, Pierre Manigault, afirmou que “esses ataques são inaceitáveis e constituem uma violação da liberdade de imprensa. Nenhum jornalista deve ser agredido por cumprir sua função de informar a sociedade”.
Manigault, presidente do grupo Evening Post Publishing Inc., em Charleston, Carolina do Sul, Estados Unidos, enfatizou que “o exercício do jornalismo deve ocorrer em condições de segurança, sem ameaças, ataques ou restrições”.
Por sua vez, a presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação, Martha Ramos, afirmou que “a violência contra jornalistas durante a cobertura de protestos sociais busca silenciar informações sobre fatos de claro interesse público”. Ramos, diretora editorial da Organización Editorial Mexicana (OEM), acrescentou que “as autoridades têm a obrigação de garantir condições seguras para o trabalho da imprensa”.
A unidade de monitoramento da ANP informou um aumento de ataques e agressões no contexto de protestos promovidos por setores sociais e sindicais, em sua maioria alinhados ao ex-presidente Evo Morales.
A SIP é uma organização sem fins lucrativos dedicada a defender e promover a liberdade de imprensa e a liberdade de expressão nas Américas. É composta por mais de 1.300 publicações no Hemisfério Ocidental e tem sede em Miami, Flórida, Estados Unidos.