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Encontro.

Jornalismo, IA e liberdade de imprensa marcam abertura do Congresso do CLAEP em Barranquilla

13 de mayo de 2026 - 17:17

Barranquilla, Colômbia (13 de maio de 2026) – A relação entre jornalismo, inteligência artificial e liberdade de imprensa foi o eixo central da abertura do Congresso 2026 do Conselho Latino-Americano de Acreditação e Ensino de Jornalismo (CLAEP), um programa da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), organizado pela Universidade do Norte (Uninorte), nesta cidade.

O reitor da Uninorte, Dr. Adolfo Meisel Roca, abriu as sessões com um discurso no qual destacou a importância do jornalismo, da educação e do pensamento crítico em um contexto regional marcado por profundas transformações tecnológicas e democráticas.

Por sua vez, Nancy Gómez Arrieta, decana da Divisão de Humanidades e Ciências Sociais da Uninorte, ressaltou o papel essencial dos meios de comunicação em um ambiente especialmente desafiador para a liberdade de imprensa, também marcado pela disrupção gerada pela inteligência artificial.

Durante a sessão inaugural, Pierre Manigault, presidente da SIP e dirigente do grupo Evening Post Publishing Inc., de Charleston, Carolina do Sul, Estados Unidos, destacou que a discussão sobre inteligência artificial “não é simplesmente sobre inovação, mas sobre o futuro do jornalismo e seu papel em nossas democracias”.

Em mensagem dirigida a acadêmicos, jornalistas e estudantes, Manigault afirmou que a inteligência artificial já está transformando a produção, distribuição e o consumo de informação, mas advertiu que os desafios vão muito além da tecnologia. “A transformação levanta questões fundamentais sobre verificação, transparência, propriedade intelectual, vieses e, sobretudo, confiança”, afirmou.

O presidente da SIP também destacou que as escolas de jornalismo têm hoje uma responsabilidade central na formação de profissionais capazes de combinar alfabetização tecnológica com critério editorial, ética e responsabilidade democrática. “Os jornalistas do futuro não serão definidos pela velocidade, mas por sua capacidade de verificar, interpretar, contextualizar e construir credibilidade”, disse.

Por sua parte, o diretor executivo da SIP, Carlos Lauría, contextualizou o debate sobre inteligência artificial dentro do complexo cenário enfrentado atualmente pela liberdade de imprensa nas Américas.

Lauría alertou para o aumento da hostilidade contra o jornalismo independente, a normalização de ataques a jornalistas, a deterioração econômica dos meios de comunicação e a crescente concentração do ecossistema digital. “Em muitos lugares, o assédio digital, as ameaças judiciais ou a vigilância contra jornalistas começam a ser percebidos como parte habitual do exercício profissional. E isso representa um enorme risco para a democracia”, afirmou.

O diretor executivo da SIP também destacou que, diante da expansão da desinformação e dos conteúdos gerados automaticamente, “o verdadeiro valor diferencial do jornalismo continuará sendo a credibilidade” e sustentou que “o melhor antídoto contra a desinformação e a mentira é o bom jornalismo, de qualidade”.

Lauría também lembrou que neste ano a SIP lançou um ciclo regional de diálogo sobre inteligência artificial e meios de comunicação na América Latina, com o objetivo de reunir editores, acadêmicos e especialistas em tecnologia para analisar o impacto dessas transformações na sustentabilidade e na ética jornalística.

Por sua parte,, Juan David Bernal, diretor executivo do CLAEP, destacou o papel desempenhado pelas 22 universidades credenciadas da rede no fortalecimento de um ensino de jornalismo baseado na qualidade, no rigor acadêmico e no compromisso democrático. Bernal ressaltou que, em um ambiente marcado pela disrupção tecnológica, pela desinformação e pelas crescentes pressões sobre a liberdade de imprensa, as universidades têm a responsabilidade de formar jornalistas capazes de exercer a profissão com pensamento crítico e vocação de serviço público.

O programa do congresso inclui painéis e debates sobre inteligência artificial aplicada ao jornalismo, desinformação, sustentabilidade dos meios, transformação digital das redações, modelos de ensino de jornalismo e desafios para a democracia na América Latina. Participam importantes acadêmicos como Carlos Scolari e Sebastián Valenzuela, o reconhecido jornalista da unidade de investigação da rede Univisión Gerardo Reyes, e a diretora da revista Volcánicas e referência do jornalismo com enfoque de gênero Catalina Ruiz-Navarro, que contribuirão com perspectivas diversas sobre os desafios contemporâneos do jornalismo.

Como ato simbólico de compromisso com a liberdade de expressão e de imprensa, ao final do primeiro segmento da jornada, os dirigentes da Uninorte, as autoridades do CLAEP, o diretor executivo da SIP, o diretor-geral da Fundação Gabo, Jaime Abello Banfi, e a jornalista Catalina Ruiz-Navarro assinaram as Declarações de Chapultepec e de Salta II, documentos promovidos pela SIP que defendem princípios fundamentais para a liberdade de imprensa, a independência jornalística e os direitos digitais no contexto contemporâneo.

A SIP é uma organização sem fins lucrativos dedicada a defender e promover a liberdade de imprensa e a liberdade de expressão nas Américas. É composta por mais de 1.300 publicações no Hemisfério Ocidental e tem sede em Miami, Flórida, Estados Unidos.

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