Montevidéu (8 de abril de 2026) – No âmbito da visita da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) ao Uruguai, a delegação reuniu-se em Montevidéu com a procuradora-geral, Mónica Ferrero, para analisar o estado do exercício do jornalismo e o contexto institucional no país.
Durante o encontro em 7 de abril, representantes da SIP expressaram sua preocupação com situações recentes que poderiam afetar o livre exercício do jornalismo e o respeito aos padrões internacionais em matéria de liberdade de expressão.
As autoridades da SIP destacaram a importância de preservar princípios fundamentais, como a proteção das fontes jornalísticas e a atuação adequada das autoridades em relação ao trabalho da imprensa, incluindo o caso recente de um jornalista que foi chamado a depor pela polícia diante de uma denúncia de difamação de um particular, sem a participação do Ministério Público. O tema também foi analisado na segunda-feira, durante a reunião entre a SIP e o presidente Orsi.
A missão da SIP é integrada pelo primeiro vice-presidente da organização, Carlos Jornet (La Voz del Interior, Argentina); pelo ex-presidente e atual segundo vice-presidente, Michael Greenspon (The New York Times, Estados Unidos); pela presidente do Comitê Executivo, Gabriela Vivanco (La Hora, Equador); pelo copresidente da Comissão Legal, Martín Etchevers (Clarín, Argentina); pelo integrante do Conselho Consultivo e ex-presidente, Danilo Arbilla; e pelo diretor executivo, Carlos Lauría.
Além disso, foi abordado o impacto crescente do crime organizado no Uruguai e suas possíveis consequências sobre a atividade jornalística. Nesse contexto, tanto a procuradora-geral quanto a delegação da SIP concordaram sobre a necessidade de fortalecer as capacidades institucionais para enfrentar esse fenômeno, especialmente no que diz respeito à proteção de jornalistas e ao acesso à informação.
Ferrero ressaltou a relevância de impulsionar programas de capacitação e formação contínua para promotores, com o objetivo de garantir um desempenho adequado diante de cenários cada vez mais complexos, que exigem conhecimento especializado e respostas coordenadas.
Na reunião, também foi feita uma breve referência a recentes episódios de violência vinculados ao crime organizado, incluindo um atentado sofrido pela procuradora-geral, o que reforça o contexto desafiador no qual se desenvolvem tanto o trabalho judicial quanto o exercício do jornalismo no país.
A SIP reiterou sua disposição de colaborar com as autoridades uruguaias na promoção de um ambiente seguro e propício para o jornalismo, em linha com os princípios democráticos e o respeito à liberdade de expressão.
Na segunda-feira, a delegação reuniu-se com o presidente Yamandú Orsi, que posteriormente assinou as declarações de princípios da SIP: Chapultepec e Salta II.
A SIP é uma organização sem fins lucrativos dedicada a defender e promover a liberdade de imprensa e a liberdade de expressão nas Américas. É composta por mais de 1.300 publicações no Hemisfério Ocidental e tem sede em Miami, Flórida, Estados Unidos.