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Casos de sucesso.

Ideias disruptivas na transformação do jornalismo

16 de julio de 2025 - 17:00

Editores de importantes meios latino-americanos expõem suas estratégias diante da nova onda de mudanças na SIPConnect 2025.

Miami (16 de julho de 2025) – Roberto Rock, diretor de La Silla Rota, do México, e ex-presidente da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), moderou o primeiro painel da conferência SIPConnect 2025. Ao lado de Carlos Salas, subdiretor jornalístico de El Comercio, do Peru; Gerardo Garza Castilla, diretor de produto da Vanguardia, do México; e Gastón Roitberg, secretário de redação de La Nación, da Argentina, discutiram as ideias disruptivas que estão transformando o jornalismo na região latino-americana.

Salas, de El Comercio, explicou como incorporaram ferramentas de inteligência artificial na redação por meio de uma parceria com o motor de IA Perplexity. Os meios de comunicação, afirmou, enfrentam problemas como uma audiência impactada por ondas de desinformação, o crescimento de marcas pessoais frente aos meios tradicionais e a queda de tráfego web em favor de outras plataformas. Diante desse cenário, El Comercio respondeu reforçando a confiança em sua marca, fortalecendo seu conteúdo diferenciado e ampliando sua base de usuários.

Internamente, criaram o Media Lab, através do qual estabeleceram diretrizes para o uso de IA, firmaram parcerias com meios de comunicação e universidades, oferecem capacitações à redação e desenvolveram projetos como o Merlín, um buscador que dará acesso aos arquivos dos 186 anos de operação de El Comercio.

Roitberg, de La Nación, Argentina, detalhou que utilizam a IA para automatizar tarefas diárias e, quando ela é empregada na geração de artigos, isso ocorre sob supervisão editorial. Ele também mencionou que o veículo possui um guia de uso da inteligência artificial, o qual foi disponibilizado ao público.

O avanço da IA levanta muitas questões, disse Roitberg, como: quais tarefas continuarão sendo exclusivamente humanas, qual é o valor diferencial do jornalismo e como garantir que os algoritmos não reproduzam preconceitos nem silenciem vozes.

"Nosso modelo se chama integralidade informativa: temos uma equipe de 360 profissionais — jornalistas, designers, editores, programadores, especialistas em dados — para analisar, informar e investigar. A criatividade combinada com dados é a nova fórmula da comunicação", afirmou.

Por fim, Garza Castilla, da Vanguardia, México, assegurou que a IA generativa representa a mudança mais profunda que enfrentamos como sociedade. "Precisamos ser revolucionários na forma de criar conteúdo e nos aproximar mais das nossas audiências", declarou. Nesse contexto, ele enfatizou que conquistar a confiança do usuário exige conteúdo de qualidade, que seja relevante, bem estruturado e otimizado.

Garza Castilla destacou que a transformação tecnológica afeta fortemente os meios tradicionais, que enfrentam dificuldades em diferenciar seus conteúdos e torná-los relevantes diante do ruído constante nas redes sociais. Uma alternativa desenvolvida na Vanguardia foi um jogo que ensina jornalismo a crianças por meio da IA. Essa experimentação editorial tinha como objetivo "semear futuros leitores". Cada criança recebeu um editor do jornal, e todas as histórias produzidas foram publicadas.

"Se não semearmos leitores hoje, colheremos apatia amanhã", afirmou Garza Castilla.

A SIP é uma organização sem fins lucrativos dedicada a defender e promover a liberdade de imprensa e a liberdade de expressão nas Américas. É composta por mais de 1.300 publicações no Hemisfério Ocidental e tem sede em Miami, Flórida, Estados Unidos.

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