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Reunião da SIP.

A redação do futuro já chegou: como a mídia latino-americana está incorporando a IA

O painel reuniu experiências concretas de La Gaceta (Argentina) e El Tiempo (Colômbia)

23 de abril de 2026 - 12:34

Por: Mariana Belloso

A adoção da inteligência artificial nas redações latino-americanas já não é um experimento para o futuro, mas uma prática em andamento, orientada por necessidades editoriais, eficiência operacional e uma forte supervisão humana, cuja base são as diretrizes editoriais, éticas e legais com as quais as diferentes organizações trabalham. Foi o que ficou claro no painel “A redação do futuro já chegou: adoção da IA na mídia da América Latina”, realizado durante a Reunião Semestral da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP).

Moderado pelo consultor em transformação digital Néstor Altuve, o painel reuniu experiências concretas de La Gaceta (Argentina) e El Tiempo (Colômbia), duas redações que avançam na integração da IA a partir de problemas reais do trabalho jornalístico.

O primeiro passo: identificar problemas

Com base na experiência argentina, Pablo Hamada, subsecretário de Redação do La Gaceta, explicou que a incorporação da IA deve partir da identificação de problemas reais da redação, como a necessidade de agilizar processos, otimizar recursos e reduzir lacunas de conhecimento. “Adotamos ferramentas quando elas geram valor, com foco na eficiência, com base em dados e públicos-alvo”, destacou.

Nesse contexto, o veículo desenvolveu diferentes soluções, como um bot que converte vídeos em rascunhos de matérias, incluindo projetos para transmissões ao vivo, como as sessões do Congresso ou discursos da Presidência, que depois são editados por jornalistas. O objetivo é acelerar os tempos de produção e aumentar o volume sem eliminar o controle editorial.

A IA também é aplicada a produtos para o público: ferramentas para gerar capas e placas de vídeo para redes sociais, jogos e aplicativos interativos, como um simulador do sorteio da Copa do Mundo de 2026 e um quiz sobre o Oscar. Uma plataforma que permite a leitura em áudio de colunas de opinião com a voz de seus autores está disponível para assinantes.

A isso se somam resumos de matérias e bots para temas complexos, como leis, que permitem responder a consultas do público e detectar as dúvidas mais frequentes, informações que retornam aos editores.

Hamada subrayó que la adopción de IA introduce cambios organizacionales y exige compartir conocimiento: “No tenemos una redacción completamente experta en IA, por eso trabajamos con una matriz de saberes compartidos”.

La IA como un exoesqueleto

Desde Colombia, José Carlos García, editor multimedia de El Tiempo, contó que el punto de partida fue un diagnóstico interno: el 74 % de la redacción ya usaba IA. Partieron, entonces, con el desarrollo de un manual de uso de IA, el cual incluye metodologías, políticas claras y criterios sobre para qué, dónde y con qué impacto utilizar estas herramientas, evitando riesgos como el plagio o el uso indebido de propiedad intelectual.

Ese enfoque derivó en El Tiempo Turbo, una metodología que concibe la IA como un “exoesqueleto” o armadur, bajo la cual está siempre el talento humano, que potencia la capacidad estratégica y creativa del periodista, sin reemplazarlo. A partir de allí, el medio desarrolló soluciones específicas, como algoritmos para la unidad investigativa que analizan compras y licitaciones públicas, ampliando el alcance de investigaciones cuando surgen indicios de corrupción. Turbo también detecta oportunidades de contenido basadas en tendencias de Google y otras plataformas, que sirven como insumo para los redactores.

O processo foi consolidado com a criação de uma célula de IA e de um AI Toolkit interno. Trata-se de um portal na intranet com 13 ferramentas que operam em um ambiente controlado, alinhado aos manuais de estilo e aos critérios jurídicos do veículo. O toolkit permite ao jornalista agilizar vários processos, como transformar vídeos em artigos, gerar matérias a partir de publicações de contas oficiais e criar imagens por meio de prompts editoriais precisos. Atualmente, o El Tiempo está avançando em uma fase de consolidação para unificar o uso de ferramentas, incluindo aquelas fornecidas por prestadores de serviços externos, e orientar melhor as equipes jornalísticas.

O painel concluiu que a IA já está presente nas redações, mas seu impacto depende menos da tecnologia e mais das decisões editoriais, éticas e estratégicas que orientam seu uso.

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