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Pressão.

A SIP expressa preocupação com denúncia do ABC Color sobre assédio e ataques sistemáticos

8 de mayo de 2026 - 15:55

Miami (8 de maio de 2026) – A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) expressa sua preocupação diante de uma denúncia apresentada pelo jornal ABC Color, do Paraguai, sobre uma suposta perseguição sistemática contra o veículo por meio do uso do aparato estatal, fiscal e judicial.

De acordo com a diretora do meio, Natalia Zuccolillo, o jornal e o grupo empresarial ao qual pertence estariam sendo alvo de uma estratégia de assédio que incluiria campanhas de estigmatização e a instrumentalização do Ministério Público para impulsionar processos penais sem fundamento, com o objetivo de gerar um “efeito inibidor” voltado a limitar o exercício do jornalismo independente.

O veículo, em uma carta enviada à SIP, afirma que essas ações teriam surgido após a publicação de investigações jornalísticas relacionadas ao caso de corrupção conhecido como FIFAGate e a divulgação de auditorias que envolveriam altos dirigentes do futebol regional. Essas coberturas teriam desencadeado represálias dirigidas inicialmente contra o entorno empresarial do jornal, particularmente por meio de um processo judicial contra o Banco Atlas.

Também expõe supostas irregularidades na atuação do Ministério Público, incluindo alegações de ingerência externa na condução da investigação, indução de depoimentos e uso de argumentos fornecidos pela parte denunciante em documentos oficiais. Da mesma forma, alerta para tentativas de internacionalizar o caso sem respaldo probatório suficiente, o que teria afetado a reputação das entidades envolvidas.

O ABC Color sustenta que, apesar da existência de elementos que questionariam a base da acusação — incluindo informações que indicariam a inexistência de dano patrimonial —, o processo penal avançou até a apresentação de uma acusação formal, o que, em sua opinião, confirma a natureza política e retaliatória da ação judicial.

O presidente da SIP, Pierre Manigault, afirmou que, “caso esses fatos sejam comprovados, tratar-se-ia de um grave caso de utilização da justiça como mecanismo de pressão contra um meio de comunicação, o que constitui uma ameaça direta à liberdade de imprensa e aos princípios democráticos”. Manigault, presidente do grupo Evening Post Publishing Inc., com sede em Charleston, Carolina do Sul, Estados Unidos, acrescentou que “a instrumentalização de instituições do Estado para intimidar ou silenciar vozes críticas é incompatível com os padrões interamericanos em matéria de liberdade de expressão”.

Por sua vez, a presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação da SIP, Martha Ramos, afirmou que “a denúncia apresentada reflete indícios preocupantes de um possível uso indevido do sistema judicial para afetar um meio independente”. Ramos, diretora editorial da Organização Editorial Mexicana (OEM), destacou que “esse tipo de prática, se confirmado, não apenas impacta uma empresa jornalística, mas também gera um efeito intimidatório sobre todo o ecossistema informativo”.

Os dirigentes da SIP instaram as autoridades paraguaias a garantir a independência do Ministério Público e do Poder Judiciário, bem como o devido processo legal e o respeito irrestrito à liberdade de imprensa. Da mesma forma, Manigault e Ramos fizeram um apelo para que qualquer investigação seja conduzida com apego à legalidade, à transparência e aos padrões internacionais.

A SIP é uma organização sem fins lucrativos dedicada a defender e promover a liberdade de imprensa e a liberdade de expressão nas Américas. É composta por mais de 1.300 publicações no Hemisfério Ocidental e tem sede em Miami, Flórida, Estados Unidos.

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