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A IA na Redação.

Do mito do papagaio estocástico ao "momento Kasparov"

David Sancha, representante da Hiberus, contrastou durante o SIPConnect a realidade com uma paródia comum na transformação digital: empresas que investem milhões em licenças de IA que ninguém utiliza.

30 de julio de 2026 - 15:53

O mito do “papagaio estocástico” ficou oficialmente para trás. Com essa premissa, David Sancha, CEO da Hiberus Media Labs, iniciou sua apresentação durante sua participação no congresso SIPConnect 2026.

Longe de serem apenas ferramentas que repetem palavras aleatoriamente sem uma compreensão real, a inteligência artificial alcançou um nível de raciocínio complexo que está redefinindo o dia a dia das redações jornalísticas. Segundo Sancha, estamos vivendo um “momento Kasparov”: aquele instante em que, como ocorreu em uma partida de xadrez em 1997, um sistema de inteligência artificial supera a capacidade humana em tarefas de raciocínio complexo. Esse fenômeno já não ocorre apenas na área de cibersegurança, onde modelos conseguiram romper ambientes protegidos, mas chegou plenamente às redações.

Além da paródia: IA com propósito

O representante da Hiberus contrastou a realidade com uma paródia recorrente na transformação digital: empresas que investem milhões em licenças de IA que ninguém utiliza. Diante disso, propôs uma visão pragmática baseada no uso real em mais de 20 redações.

Para que a tecnologia funcione e seja adotada pelos jornalistas, ela deve seguir três princípios fundamentais:

  • O jornalista tem o controle: A inteligência artificial não atua de forma automática ou intrusiva; é o redator quem ativa as funções sob demanda.
  • Editabilidade: Cada veículo e cada seção podem ajustar os parâmetros da IA às suas necessidades e estilo específicos.
  • Integração total: A IA é integrada diretamente ao CMS (sistema de gerenciamento de conteúdo). O jornalista não precisa sair do seu ambiente de trabalho para utilizá-la.

O que é o Xalok Assistant?

O Xalok Assistant é uma solução de inteligência artificial desenvolvida por e para jornalistas, que se integra diretamente ao fluxo editorial para maximizar o valor do conteúdo. Sob uma filosofia “não intrusiva”, a ferramenta coloca o profissional no centro do controle: nenhuma ação é executada automaticamente; é o redator quem ativa as funções.

Com mais de 30 funcionalidades disponíveis, o assistente apoia as redações em três pilares fundamentais:

  • Criação: Inclui transcrição de áudio e vídeo, regeneração de notícias e resumos jornalísticos.
  • Alcance: Auxilia na distribuição por meio da otimização de metadados SEO, sugestão de etiquetas (tags) e tradução de conteúdos.
  • Edição: Sugere títulos, cria imagens, revisa a ortografia e auxilia na revisão editorial, entre outras funções.

Como os jornalistas realmente usam a IA?

Ao contrário da crença popular de que os meios de comunicação buscam a inteligência artificial para “escrever notícias do zero”, a realidade nas redações mostra uma tendência muito diferente. Os dados apresentados por Sancha revelam que 63% das interações com a IA são destinadas a funções de edição, enquanto a criação pura de conteúdo representa apenas 15%.

Entre as tarefas mais solicitadas pelas equipes estão a correção ortográfica, a otimização de negritos para mecanismos de busca (SEO) e, de forma especialmente relevante, a transcrição de áudios.

Caso de sucesso: Cadena COPE

Um dos exemplos apresentados pelo especialista foi o caso da rede de rádio COPE, na Espanha. A emissora utiliza o assistente de IA para processar horas de transmissão ao vivo: identifica temas principais, transcreve diálogos e detecta quem está falando em cada momento.

Essa ferramenta permite aos redatores transformar rapidamente conteúdos em áudio em artigos estruturados para a web. Durante eventos jornalísticos de grande intensidade, a tecnologia possibilitou às equipes gerar um alto volume de conteúdo de valor, identificando inclusive ângulos informativos que poderiam ter sido perdidos, com ganhos de produtividade e aumento de tráfego.

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