Em uma palestra que combinou análise estratégica, dados reveladores e visão tecnológica, o Hiberus Media Labs marcou presença no SIP Connect 2025 para refletir sobre o presente e o futuro dos meios de comunicação. Sob o título “Conteúdo líquido para redações fluidas”, David Sancha, CIO, e Belén Jodar, COO da Xalok, compartilharam aprendizados-chave de grandes eventos internacionais e mostraram como a inteligência artificial e a mudança nos hábitos de consumo estão redesenhando a forma de produzir e distribuir informação.
Segundo Sancha, a frase “Da transformação digital à transformação do digital” sintetiza uma profunda mudança de paradigma. Já não se trata apenas de se adaptar ao ambiente digital, mas de entender como o digital em si está mudando. A transformação do digital ocorre em dois âmbitos: em relação ao público e à produção de conteúdo.
Transformação do digital em relação ao público
Dos principais eventos internacionais sobre mídia, surge uma ideia central: “O tráfego e as visitas já não importam; o que importa agora são as audiências e o alcance qualificado”. Cada vez mais, os meios de comunicação estão reorientando suas estratégias nessa direção, deixando de lado as métricas de quantidade para focar na construção de vínculos mais sólidos e significativos com o público.
Nicholas Thompson, CEO do The Atlantic, apresentou um cenário em que o tráfego proveniente de plataformas externas seja nulo. Nessa mesma linha, Claudio Cabrera, Vice-presidente de Audiência do The Athletic, destacou a importância de fortalecer o produto, diversificar canais e transformar a relação com o público para se adaptar a esse novo panorama.
Jodar explicou que essa mudança se deve, em grande parte, ao surgimento do IA Overview. Essa tecnologia permite que os usuários obtenham respostas diretas dentro de interfaces como o Google, o que gera um aumento do zero click search — buscas que não geram cliques nos meios de comunicação — e impulsiona a expansão dos walled gardens, ecossistemas fechados nos quais as plataformas retêm e monetizam a atenção do usuário.
Nesse contexto, Sancha destacou que é necessário reforçar a relação direta e honesta com o público com três ideias-chave:
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Potencializar assinaturas e programas de membros com dados próprios (first-party data) para gerar comunidade;
Diversificar as estratégias de captação de audiência em diferentes canais;
Do SEO em que clicam para o SEO em que citam: buscar relevância em chatbots e IAs, sendo sensíveis ao tráfego que pode vir dessas ferramentas.
Transformação do digital em relação à produção de conteúdo
O conceito de liquid content ganha cada vez mais relevância. Segundo Ezra Eeman, diretor de estratégia digital e inovação da televisão holandesa, ele pode ser entendido por meio de três formas de distribuição:
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Flow, quando uma mensagem é transmitida em tempo real e em formato único (como um streaming);
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File, quando o conteúdo é estático e destinado a um canal específico (como uma newsletter ou uma matéria em um site);
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Fluid, onde a inteligência artificial permite que o conteúdo se adapte de forma flexível a múltiplas plataformas, formatos e audiências, fluindo de acordo com os hábitos do usuário.
A visão da Xalok se baseia no conceito de “redação fluida”, que busca ajudar os meios de comunicação a se adaptarem à transformação digital e à relação em constante mudança com o público, por meio do uso de inteligência artificial. Para isso, desenvolveram o Xalok Assistant, um sistema que fortalece o produto com a geração automática de novos formatos de conteúdo, diversifica a distribuição em múltiplos canais e, principalmente, mantém o critério editorial personalizado e autêntico de cada meio.
O Assistant funciona em um ambiente seguro e controlado, no qual o jornalista decide quando e como ativar as funções de IA para auxiliar em tarefas como criação de títulos, elaboração de entradas, geração de imagens, otimização de SEO e edição rápida de textos. Além disso, a plataforma facilita a publicação e adaptação de conteúdos para diferentes formatos e redes sociais, sempre com o jornalista no comando do processo.
Os representantes do Hiberus Media Labs encerraram sua apresentação fazendo referência à frase “em uma enchente, a primeira coisa que se busca é água potável”.
“O que vocês são, e o que a SIP representa, é água potável. São conteúdos profissionais, feitos por profissionais que informam seu público. Não é água potável apenas para suas audiências, é água potável para suas sociedades. Nós, da tecnologia, compartilhamos esse princípio — estamos aqui para ajudar sempre que possível”, refletiu Sancha.