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Fazendo a diferença.

Como um modelo inovador transformou o jornalismo na Carolina do Sul

18 de julio de 2025 - 10:05

Miami (18 de julho de 2025) - Em meio ao avanço dos desertos informativos e à crise dos modelos tradicionais de receita, uma abordagem audaciosa da Carolina do Sul está fazendo a diferença. Durante a conferência SIPConnect 2025, organizada pela Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), Pierre Manigault, presidente da Evening Post Publishing Inc. e vice-presidente primeiro da SIP, apresentou um caso de sucesso que combina inovação, filantropia e comunidade para manter vivo o jornalismo local e independente.

Manigault compartilhou os detalhes deste modelo híbrido, que conseguiu mobilizar mais de 5 milhões de dólares desde 2021 para sustentar o jornalismo independente e de qualidade em seu estado. "Bom jornalismo é caro", afirmou Manigault. "E sabíamos que não poderíamos arcar com esse investimento sozinhos". Diante da queda de receitas tradicionais, sua organização decidiu envolver a comunidade através de fundos filantrópicos administrados por fundações independentes, que permitem financiar investigações jornalísticas e coberturas temáticas sem comprometer a independência editorial.

Um dos projetos emblemáticos é "Uncovered", uma série lançada em 2021 com 18 jornais locais para investigar a corrupção governamental. O objetivo inicial era arrecadar 100 mil dólares em 100 dias, mas a campanha superou todas as expectativas, alcançando mais de 500 mil dólares graças ao apoio dos cidadãos.

O modelo evoluiu com a criação de laboratórios temáticos como Rising Waters (focado em mudanças climáticas) e um Education Lab, financiado com 1,3 milhões de dólares por líderes comunitários. Em breve, será lançado um Arts Lab, em resposta direta ao interesse do público.

Além disso, Manigault destacou as parcerias com sete universidades do estado, que permitiram a contratação de 37 estagiários nas redações e o uso de escritórios sem custo, avaliados em 430 mil dólares anuais. "Estamos formando os futuros jornalistas locais", disse.

O vice-presidente primeiro da SIP enfatizou que todos os fundos são utilizados exclusivamente para fins jornalísticos e que os doadores não têm influência editorial. "Não vendemos favores. Desde o início, deixamos claro que suas contribuições não condicionam nossas decisões editoriais", sublinhou.

O modelo também atraiu o apoio de fundações como Knight, empresas como Google e Meta, e organizações como Report for America, consolidando uma rede de apoio que já é considerada um caso de estudo para mídias locais em todo o país.

Num contexto em que muitas mídias acabam vendidas para conglomerados com interesses distantes da comunidade, Manigault defendeu sua decisão de manter a independência: "Não buscamos enriquecer. Não recebo salário nem distribuímos dividendos. Mas acreditamos que este modelo pode manter vivo o bom jornalismo na Carolina do Sul por gerações".

A apresentação concluiu com um apelo para aprofundar o vínculo com o público através de eventos locais, boletins informativos e total transparência no uso dos fundos. Uma mensagem clara: o jornalismo local pode sobreviver, se a comunidade o abraçar e oferecer seu apoio.

A SIP é uma organização sem fins lucrativos dedicada a defender e promover a liberdade de imprensa e a liberdade de expressão nas Américas. É composta por mais de 1.300 publicações no Hemisfério Ocidental e tem sede em Miami, Flórida, Estados Unidos.

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