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Menos cliques.

Mais comunidade: o futuro depende da relação com o leitor

Um painel no SIPConnect 2026 explora o crescimento dos meios de comunicação que, em muitos casos, não virá de alcançar mais pessoas, mas de aprofundar o vínculo com as que já estão presentes.

31 de julio de 2026 - 07:31

Menos cliques, mais comunidade: o futuro do jornalismo depende da relação com o leitor

O jornalismo atravessa uma mudança de paradigma: deixar para trás a busca massiva por cliques para construir vínculos profundos e sustentáveis com as audiências. Esse foi o tema do painel “Do alcance à relação: a nova etapa do crescimento nos meios”, moderado por Mariana Belloso, gestora de projetos da SIP, com a participação de Delano Massey, Managing Editor da Axios Local, e Armando Castilla, diretor da Vanguardia.

Axios Local: “O alcance se aluga, a relação se possui”

Delano Massey iniciou sua intervenção apresentando uma premissa fundamental para o jornalismo moderno: o sucesso não está em “ganhar a internet”, mas em se unir às conversas que as pessoas já estão tendo. Após deixar a CNN em 2022 para buscar respostas sobre o futuro do jornalismo local, Massey implementou na Axios Local um modelo baseado na “Smart Brevity” (brevidade inteligente), sustentado por cinco pilares estratégicos:

  • Construir hábitos, não cliques: O principal produto é a newsletter, que permite uma relação direta sem depender de algoritmos.
  • Respeitar o tempo do leitor: Brevidade não é escrever menos, mas oferecer clareza e estrutura (pontos-chave, negrito, contexto) para leitores sobrecarregados.
  • Cobrir conversas, não categorias: Em vez de seções tradicionais, a Axios foca na utilidade diária (moradia, trânsito, cultura local) e no que Massey chama de “Regra de LeBron”: cobrir o que a comunidade realmente comenta.
  • IA para potencializar o jornalista: A Axios utiliza inteligência artificial para aprimorar textos, pesquisar e identificar ineficiências, mas nunca para substituir o repórter.
  • A relação como estratégia de crescimento: O objetivo não é alcançar mais pessoas, mas ser relevante o suficiente para que o leitor retorne.

Vanguardia e o nascimento de Vera

Por sua vez, Armando Castilla apresentou Vera, a nova aposta de assinatura digital da Vanguardia, que surge após anos de aprendizado e erros com modelos tradicionais. Castilla explicou que, embora experiências anteriores tenham demonstrado que a audiência estava disposta a pagar, existiam bloqueios estruturais que impediam o sucesso de um paywall genérico.

Castilla identificou três bloqueios principais: editorial (falta de uma proposta de valor clara), tecnológico (uma cadeia de fornecedores insustentável e custosa) e de decisão (retrabalho constante devido à ausência de uma visão única de produto).

Para superar esses obstáculos, a Vanguardia criou Vera, um produto definido por três conceitos: “Lê-se, escuta-se, pergunta-se”.

  • Curadoria: Em vez de centenas de matérias, oferece apenas seis histórias com propósito por dia (manhã, meio-dia e fechamento) para evitar o ruído visual.
  • Tecnologia própria: Utilizando agentes de IA, a equipe construiu seu próprio ecossistema tecnológico, reduzindo drasticamente os custos e eliminando a dependência de terceiros.
  • Interação: Inclui um “copiloto de IA” dentro de cada matéria para responder perguntas, resumir ou verificar informações em tempo real.

O crescimento futuro dos meios não virá de alcançar mais pessoas, mas de aprofundar o vínculo com as que já estão presentes.

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