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A TV volta a ser protagonista.

"Os meios de comunicação devem se adaptar aos novos hábitos de consumo, não combatê-los"

O executivo do YouTube para o mercado de língua espanhola afirmou que o principal desafio para as organizações jornalísticas não é a tecnologia, mas compreender como as audiências descobrem e consomem informação atualmente.

29 de julio de 2026 - 15:00

Os meios de comunicação não estão travando uma batalha contra o YouTube, as redes sociais ou a inteligência artificial. Eles estão tentando se adaptar a uma transformação mais profunda: a mudança nos hábitos de consumo das audiências. Essa foi a mensagem central de Juan Pablo Robert, executivo do YouTube Spanish, durante sua apresentação no SIP Connect 2026, na qual revisou a evolução da plataforma e seu papel crescente como ecossistema de distribuição, monetização e construção de comunidades para organizações jornalísticas.

“A missão do YouTube continua exatamente a mesma de 21 anos atrás: dar voz a todas as pessoas e mostrar-lhes o mundo”, afirmou. Segundo Robert, a plataforma passou por mudanças radicais desde seu lançamento, mas seu objetivo continua sendo conectar criadores, jornalistas, empresas de mídia e audiências em escala global.

Receitas para os meios de comunicação

Robert destacou o alcance massivo do YouTube, mas também sua capacidade de gerar receitas sustentáveis para criadores e organizações jornalísticas.

Ele lembrou que a plataforma distribuiu mais de US$ 100 bilhões a criadores, artistas e empresas de mídia nos últimos quatro anos. O modelo de negócios, explicou, baseia-se no compartilhamento de 55% da receita publicitária com os proprietários dos canais. “Sem eles, o YouTube não existiria”, afirmou.

Para o executivo, a possibilidade de combinar distribuição, monetização e desenvolvimento de comunidades explica por que cada vez mais meios incorporam a plataforma como parte central de sua estratégia digital.

Uma das mudanças mais significativas identificadas por Robert é o crescente predomínio do conteúdo audiovisual, especialmente entre os públicos mais jovens.

Citando tendências observadas na América Latina e estudos sobre consumo de informação, afirmou que as novas gerações preferem assistir às notícias em vez de lê-las.

“Não estamos lutando contra a tecnologia; estamos lutando contra hábitos de consumo”, declarou. Segundo ele, isso obriga as redações a pensar não apenas no conteúdo informativo, mas também na forma como ele é apresentado.

A tendência não significa o abandono da leitura, esclareceu, mas sim a necessidade de desenvolver narrativas adaptadas às preferências atuais das audiências.

Do conteúdo ao usuário

Robert afirmou que a grande transformação digital das últimas décadas foi o deslocamento do centro de gravidade dos meios de comunicação para os usuários.

Enquanto no modelo tradicional as audiências giravam em torno de jornais, emissoras de rádio ou canais de televisão, hoje ocorre o contrário: são os conteúdos que giram em torno das pessoas.

Essa mudança de paradigma, segundo ele, explica o crescimento das plataformas de recomendação, dos algoritmos e dos formatos desenvolvidos para a descoberta passiva de conteúdos. Para os meios, isso significa que a distribuição já não pode depender exclusivamente dos canais próprios.

A televisão volta a ser protagonista

Embora o YouTube seja frequentemente associado aos dispositivos móveis, Robert destacou que uma das tendências mais importantes dos últimos anos é o crescimento acelerado do consumo por meio de televisores conectados.

Nos Estados Unidos, explicou, a televisão conectada já supera os celulares como principal dispositivo para assistir ao YouTube. Na América Latina, embora o processo seja mais recente, o tempo de visualização por meio de televisores cresce de forma constante.

Fatores culturais e econômicos ajudam a explicar essa tendência. Entre eles, mencionou a tradição familiar em torno da televisão e o custo dos planos de dados móveis em muitos países da região.

Para os meios de comunicação, isso significa que as audiências estão consumindo conteúdos digitais em ambientes cada vez mais semelhantes à televisão tradicional, embora com maiores possibilidades de interação e personalização.

Uma estratégia multiplataforma

Robert recomendou que os meios desenvolvam estratégias que aproveitem os diferentes formatos disponíveis no YouTube de acordo com seus objetivos de negócio e de audiência.

Os Shorts, explicou, funcionam principalmente como ferramentas de descoberta e permitem atrair novos usuários. Os vídeos longos favorecem a fidelização e o desenvolvimento de comunidades, enquanto as transmissões ao vivo ajudam a fortalecer o vínculo com as audiências mais engajadas.

“O curto permite descobrir; o longo constrói comunidade”, resumiu.

Ele também destacou o papel dos podcasts em vídeo, um dos formatos que mais crescem dentro da plataforma.

Segundo explicou, muitos usuários alternam entre áudio e vídeo dependendo do momento do dia, o que transformou o YouTube em um dos principais espaços de distribuição desse formato.

Mais de 700 milhões de horas mensais de podcasts são consumidas em televisores conectados, afirmou.

Além da distribuição, Robert ressaltou que o verdadeiro valor das plataformas digitais está na possibilidade de ouvir as audiências.

As ferramentas de comunidade, os comentários e as interações permitem identificar quais temas despertam maior interesse e compreender melhor as necessidades dos usuários. Essas informações podem se tornar um recurso editorial tão importante quanto as métricas tradicionais ou os estudos de audiência.

Além da publicidade, Robert destacou a expansão de mecanismos de financiamento direto, como assinaturas, membros e benefícios exclusivos para comunidades de seguidores.

Compreender o usuário

Ao encerrar sua apresentação, Robert insistiu que o desafio dos meios não é resistir às mudanças tecnológicas, mas compreender como as pessoas consomem informação atualmente.

“O que mudou não foram as plataformas. O que mudou foram os hábitos dos usuários”, afirmou.

Para as organizações jornalísticas, concluiu, o sucesso dependerá da capacidade de encontrar as audiências onde elas já estão, oferecer conteúdos adaptados a diferentes formatos e construir comunidades duradouras em torno de suas marcas informativas.

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