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Novas estratégias.

Inovação e digitalização: ferramentas-chave contra os desertos informativos

Dale Anglin, da Press Forward, e Daniel Coronell, da Univision, abriram as apresentações da conferência hemisférica de meios de comunicação digitais, SIPConnect 2025.

16 de julio de 2025 - 13:39

Por Mariana Belloso

Miami (16 de julho de 2025) — O primeiro dia do SIPConnect 2025, conferência sobre transformação digital e sustentabilidade da mídia organizada pela Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), começou com duas palestras que destacaram o papel fundamental da inovação para garantir a viabilidade do jornalismo e enfrentar o avanço dos chamados “desertos informativos”.

Dale R. Anglin, diretora da Press Forward, falou sobre inovação com propósito e novas estratégias para apoiar a mídia local. A Press Forward é uma coalizão de doadores que investe mais de 500 milhões de dólares em redações locais nos Estados Unidos, com presença em 41 capítulos, de Alaska a Flórida.

Anglin alertou que os meios de comunicação locais continuam diminuindo em um contexto de crescente polarização, menor participação cidadã e sérias dificuldades para gerar receitas sustentáveis. “Precisamos focar na sustentabilidade. Podemos fazer o melhor trabalho jornalístico, mas se não tivermos recursos para nos financiar, nada disso importa”, destacou. Ela acrescentou que é crucial que organizações e doadores que atuam em temas como mudanças climáticas também apoiem o jornalismo, “porque as pessoas precisam saber o que está acontecendo”.

Segundo Anglin, combater os desertos informativos exige modelos inovadores que fortaleçam a cobertura local e próxima das comunidades. Isso inclui novas fontes de receita, serviços compartilhados, parcerias com universidades, alianças com criadores de conteúdo e influenciadores, além do uso de ferramentas tecnológicas como a inteligência artificial.

A segunda palestra foi de Daniel Coronell, presidente da Univision Noticias, que abordou o impacto da digitalização na democracia. Ele explicou que a mídia perdeu seu papel tradicional como intermediária entre políticos e cidadãos, o que enfraqueceu o questionamento público e a prestação de contas. “Hoje, os políticos podem se comunicar diretamente com seus eleitores sem passar pelo jornalismo, que faz perguntas incômodas”, afirmou.

Coronell alertou sobre o efeito das “câmaras de eco” criadas pelas redes sociais, que favorecem conteúdos com os quais os usuários já concordam. “O celular também se tornou um instrumento de micromarketing; o algoritmo sabe como usamos nossos aplicativos e nos envia mensagens direcionadas com precisão cirúrgica. O mesmo acontece na comunicação política”, explicou.

Esse fenômeno, advertiu, provocou uma confusão entre credibilidade — baseada na reputação e na verificação — e verossimilhança — baseada na aparência e na percepção. “Resgatar a credibilidade é um dos maiores desafios que enfrentamos como jornalistas”, afirmou.

O retrocesso da mídia e os ataques vindos do poder têm consequências diretas sobre os processos eleitorais e a saúde da democracia. “A maioria dos eleitores hoje se informa por meio das redes sociais, por segundas ou terceiras versões, o que aprofunda a desintermediação”, observou. Nos Estados Unidos, exemplificou, dos 1.556 condados existentes, 206 já são considerados desertos informativos por não contarem com um veículo de notícias local tradicional.

Coronell concluiu que, diante desse cenário, é fundamental fortalecer a capacidade do público para diferenciar informação de propaganda, continuar produzindo jornalismo de qualidade e defender a democracia: “Se o jornalismo desaparecer, certamente teremos menos democracia no futuro”.

A SIP é uma organização sem fins lucrativos dedicada a defender e promover a liberdade de imprensa e a liberdade de expressão nas Américas. É composta por mais de 1.300 publicações no Hemisfério Ocidental e tem sede em Miami, Flórida, Estados Unidos.

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