Miami (19 de outubro de 2026) — A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) condena as novas medidas punitivas impostas ao jornalista independente cubano Henry Constantín, diretor do veículo digital La Hora de Cuba e vice-presidente regional da Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação da organização, que permanece preso desde 16 de setembro na prisão de segurança máxima Kilo 7, em Camagüey. A SIP exigiu sua libertação imediata e responsabilizou as autoridades cubanas por sua integridade física e psicológica.
Segundo denúncia do La Hora de Cuba, Constantín foi punido com pelo menos 15 dias de confinamento em uma cela de punição, depois que funcionários penitenciários afirmaram ter encontrado uma faca artesanal entre seus pertences durante uma revista realizada em 15 de outubro. O jornalista suspeita que a arma tenha sido colocada deliberadamente entre seus pertences para incriminá-lo e justificar novas medidas disciplinares contra ele.
Em uma ligação telefônica feita da prisão, Constantín relatou que os funcionários foram diretamente ao local onde a faca supostamente se encontrava. A punição inclui também a suspensão das visitas familiares e conjugais previstas para 19 de outubro, além da perda do direito à comunicação telefônica diária que lhe havia sido autorizado.
O jornalista está detido desde 16 de setembro, quando compareceu a uma convocação policial em Camagüey. As autoridades o acusam de suposta desobediência por não ter comparecido a uma convocação anterior, em 9 de setembro, acusação que o jornalista rejeita.
“A decisão de enviar Henry Constantín para uma cela de punição, em circunstâncias que despertam sérias suspeitas, constitui mais um episódio alarmante de perseguição contra um jornalista que nunca deveria ter sido preso”, declarou Pierre Manigault. “As autoridades cubanas devem pôr fim imediatamente a essas medidas abusivas, garantir sua integridade física e psicológica e assegurar sua libertação incondicional”, destacou Manigault, presidente do grupo Evening Post Publishing Inc., de Charleston, Carolina do Sul.
Por sua vez, a presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação da SIP, Martha Ramos, afirmou: “Nos preocupa especialmente que, além do isolamento, se pretenda privar Constantín do contato com sua família e de suas comunicações telefônicas. Essas medidas agravam sua situação de vulnerabilidade e podem constituir uma forma adicional de pressão e punição. Exigimos que as denúncias sobre a suposta colocação de uma arma entre seus pertences sejam investigadas de forma independente e que seus direitos sejam plenamente respeitados. Henry Constantín deve recuperar sua liberdade imediatamente”, afirmou Ramos, diretora da Organização Editorial Mexicana (OEM).
A SIP lembrou que Constantín tem sido vítima de detenções reiteradas, perseguição e restrições em razão de seu trabalho jornalístico. Sua prisão e as novas medidas disciplinares aumentam a preocupação com as condições em que os jornalistas independentes exercem seu trabalho em Cuba.
A SIP é uma organização sem fins lucrativos dedicada à defesa e à promoção da liberdade de imprensa e de expressão nas Américas. É formada por mais de 1.300 veículos de comunicação do Hemisfério Ocidental e tem sede em Miami, Flórida, Estados Unidos.