A SIP e seis organizações que representam veículos de comunicação do México, Colômbia, Chile, Peru, Brasil e Argentina passam a integrar uma aliança internacional que promove padrões de rastreabilidade, reconhecimento e licenciamento de conteúdos utilizados por sistemas de IA.
Miami (13 de outubro de 2026) – A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), a Associação de Entidades Jornalísticas Argentinas (ADEPA), a Alianza de Medios MX, a Associação Colombiana de Meios de Informação (AMI), a Associação Nacional de Jornais (ANJ), do Brasil, a Associação Nacional de Imprensa (ANP), do Chile, e o Conselho da Imprensa Peruana (CPP) anunciam sua adesão conjunta à Coalizão SPUR (Standards for Publisher Usage Rights, na sigla em inglês), uma aliança internacional de veículos de comunicação e organizações do setor que desenvolve padrões e ferramentas para que os editores possam controlar, mensurar e gerenciar o uso de seus conteúdos por sistemas de inteligência artificial.
A adesão torna essas entidades um grupo pioneiro na região e incorpora, pela primeira vez de forma coordenada, a perspectiva dos meios de comunicação das Américas a uma iniciativa de alcance global. Isso ocorre em um momento em que a IA está transformando a produção, a distribuição e o consumo de informações, trazendo novos desafios para a propriedade intelectual e a sustentabilidade econômica do jornalismo.
A SPUR foi inicialmente criada pela BBC, pelo Financial Times, pelo Guardian Media Group, pela Sky News e pelo Telegraph Media Group. Posteriormente, incorporou a Mediahuis e a Associated Press como membros fundadores. Ao longo do tempo, expandiu sua atuação para organizações e veículos de diferentes mercados, entre eles WAN-IFRA, FIPP, News/Media Alliance, Association of Online Publishers, Independent Media Association, Professional Publishers Association e Newsworks.
Um de seus principais objetivos é desenvolver padrões técnicos e estruturas de trabalho que permitam identificar quando e como os sistemas de IA utilizam conteúdos jornalísticos, facilitando mecanismos de atribuição, controle e eventual licenciamento. Em junho, a coalizão publicou seu Content Telemetry Standard, concebido para fornecer aos editores informações sobre esse uso e estabelecer uma linguagem comum para sua mensuração e comunicação.
Suas linhas de trabalho também incluem a identificação das ferramentas necessárias para proteger a propriedade intelectual, a redução das barreiras técnicas ao licenciamento e o desenvolvimento de canais que permitam o uso de conteúdos jornalísticos de forma transparente, rastreável e baseada em direitos. A SPUR também mantém diálogo com empresas de tecnologia e outros atores do ecossistema, a fim de contribuir para a criação de padrões aplicáveis em escala internacional.
Uma voz regional no debate global
As organizações concordam que a discussão sobre como os conteúdos jornalísticos são utilizados no treinamento e na operação de modelos de IA será determinante para o futuro do setor e que os meios de comunicação das Américas, com suas diferentes dimensões e realidades, devem estar representados nos espaços em que essas regras são definidas.
Com a adesão, as entidades buscam:
- Representar as necessidades dos meios de comunicação da região no desenvolvimento de padrões internacionais.
- Facilitar o acesso de seus associados a conhecimentos, ferramentas e experiências que contribuam para melhorar a rastreabilidade de seus conteúdos.
- Promover mecanismos de licenciamento mais equilibrados e transparentes entre os meios de comunicação e as plataformas de IA.
- Coordenar posições comuns diante dos desafios relacionados à propriedade intelectual e à sustentabilidade econômica do jornalismo.
Um benefício para os meios de comunicação de toda a região
As organizações representam veículos de diferentes portes e territórios, desde grandes grupos até meios de comunicação regionais e locais. A participação na SPUR permitirá que os benefícios dessa articulação internacional alcancem todos os seus associados, oferecendo-lhes ferramentas mais eficazes para proteger o valor do conteúdo que produzem.
A iniciativa soma-se à agenda que cada entidade desenvolve nas áreas de inteligência artificial, propriedade intelectual, liberdade de imprensa e sustentabilidade dos meios de comunicação, bem como aos esforços para promover condições mais equilibradas na relação entre o jornalismo e as grandes plataformas tecnológicas.
Com essa adesão conjunta, as organizações levam a voz do jornalismo das Américas a uma coalizão que busca construir regras, padrões e infraestrutura para estabelecer uma relação mais transparente e sustentável entre os produtores de conteúdo jornalístico e as plataformas de inteligência artificial.
A SIP é uma organização sem fins lucrativos dedicada a defender e promover a liberdade de imprensa e a liberdade de expressão nas Américas. É composta por mais de 1.300 publicações no Hemisfério Ocidental e tem sede em Miami, Flórida, Estados Unidos.