Miami (21 de setembro de 2026) – A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) questiona a decisão do presidente Donald Trump de impedir o acesso de jornalistas da CNN, MS NOW e POLITICO à Casa Branca em razão de sua cobertura jornalística. A medida, anunciada na sexta-feira, 18 de setembro, e implementada no dia seguinte, com a revogação e o confisco das credenciais de imprensa, representa uma grave restrição ao exercício do jornalismo e levanta sérios questionamentos constitucionais à luz da Primeira Emenda dos Estados Unidos, que protege as liberdades de expressão e de imprensa.
Os três veículos anunciaram que entrarão com ações judiciais contra o governo Trump para contestar a decisão e defender seus direitos garantidos pela Primeira Emenda.
“O poder público não pode usar o acesso às suas instalações como instrumento de punição contra os veículos de comunicação que o questionam. A imprensa não está para agradar ao poder, mas para informar e fiscalizá-lo. Uma medida dessa natureza coloca em risco as garantias constitucionais que protegem o jornalismo independente”, afirmou Pierre Manigault, presidente da SIP e presidente da Evening Post Publishing Inc., em Charleston, Carolina do Sul.
“Excluir jornalistas por causa de sua cobertura é incompatível com uma imprensa livre e entra em sério conflito com as leis fundamentais dos Estados Unidos. O governo deve garantir o acesso e a diversidade de informações, e não escolher quais veículos podem informar com base no que publicam. O que aconteceu com CNN, MS NOW e POLITICO não pode se transformar em um mecanismo para silenciar outras vozes”, afirmou Martha Ramos, presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação da SIP e diretora editorial da Organización Editorial Mexicana (OEM).
A SIP manifestou especial preocupação diante da advertência de Trump de que outros veículos poderiam sofrer o mesmo tratamento. Questionado sobre possíveis novos vetos, mencionou The New York Times e The Washington Post, cuja cobertura também critica, embora não tenha anunciado a exclusão desses veículos da Casa Branca.
Além disso, no domingo, a Casa Branca retirou a CNN do pool televisivo que acompanhará Trump a Nova York para a Assembleia Geral da ONU, embora a emissora estivesse escalada para fazer a cobertura compartilhada nesta segunda-feira. A decisão interrompe o sistema habitual de rodízio entre as principais redes de televisão dos Estados Unidos responsáveis por fornecer imagens e cobertura conjunta aos demais veículos de comunicação.
Segundo os relatórios da SIP, a situação da liberdade de imprensa nos Estados Unidos sofreu uma preocupante deterioração, em um contexto marcado por crescentes pressões do poder público sobre veículos de comunicação e jornalistas. A intensificação da retórica hostil e estigmatizante, as restrições ao acesso à informação, as pressões regulatórias e judiciais e o enfraquecimento das garantias para o exercício do jornalismo configuram um cenário adverso para a imprensa independente e para o direito da sociedade de receber informação adequada.
A SIP é uma organização sem fins lucrativos dedicada a defender e promover a liberdade de imprensa e a liberdade de expressão nas Américas. É composta por mais de 1.300 publicações no Hemisfério Ocidental e tem sede em Miami, Flórida, Estados Unidos.