Miami (15 de setembro de 2026) – A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) expressa profunda preocupação com a detenção, na Flórida, do jornalista nicaraguense Luis Galeano, diretor do programa Café con Voz. A organização exortou as autoridades dos Estados Unidos a garantir seu devido processo legal, acesso à defesa jurídica e proteção diante de uma eventual deportação.
Galeano, de 48 anos, foi detido em 14 de setembro por agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE, na sigla em inglês), em Orlando, enquanto trabalhava como motorista do serviço de transporte Uber. O jornalista foi posteriormente levado a uma delegacia de polícia, de onde pôde entrar em contato com sua esposa para que procurasse um advogado, segundo informações da imprensa.
O jornalista deixou a Nicarágua em dezembro de 2018, depois que um juiz de Manágua emitiu uma ordem de prisão contra ele. Galeano solicitou asilo político em 2019. Em fevereiro de 2023, o regime de Daniel Ortega e Rosario Murillo retirou sua nacionalidade e confiscou seus bens, juntamente com os de outras figuras críticas ao governo. Desde o exílio, continuou exercendo o jornalismo e apresentando o programa Café con Voz. Galeano trabalhou no jornal El Nuevo Diario, fechado em 2019. Também foi redator da Agência EFE na Nicarágua.
A audiência para a revisão do caso de Galeano está marcada para o próximo dia 2 de outubro, conforme confirmou sua esposa, Deykell Santamaría, ao veículo 100% Noticias.
O presidente da SIP, Pierre Manigault, afirmou: “A detenção de Luis Galeano exige uma resposta que leve em consideração sua condição de jornalista perseguido e exilado. Os Estados Unidos devem garantir-lhe um processo justo e transparente e, sobretudo, evitar que possa ser deportado. A defesa da liberdade de imprensa exige que esses antecedentes sejam considerados”, acrescentou Manigault, do Evening Post Publishing Inc., de Charleston, Carolina do Sul, Estados Unidos.
A presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação da SIP, Martha Ramos, acrescentou: “Luis Galeano foi perseguido, privado de sua nacionalidade e obrigado ao exílio por exercer seu direito de informar. Uma eventual deportação poderia colocá-lo novamente diante dos riscos que precisamente o obrigaram a fugir. As autoridades devem considerar essa situação e garantir sua proteção, sua defesa jurídica e o pleno respeito a seus direitos”.
“A SIP continuará acompanhando o caso e reiteramos que a proteção de jornalistas perseguidos por seu trabalho constitui uma responsabilidade que transcende fronteiras. A perseguição, o deslocamento forçado e o exílio contribuíram para uma deterioração contínua da liberdade de expressão nas Américas”, ressaltou Ramos, da Organización Editorial Mexicana (OEM).
Segundo os relatórios da SIP, a Nicarágua se tornou um dos cenários mais graves para o exercício da liberdade de imprensa na região. A organização documentou a perseguição sistemática contra jornalistas independentes, o fechamento e confisco de meios de comunicação e o exílio forçado de comunicadores.
A SIP é uma organização sem fins lucrativos dedicada a defender e promover a liberdade de imprensa e a liberdade de expressão nas Américas. É composta por mais de 1.300 publicações no Hemisfério Ocidental e tem sede em Miami, Flórida, Estados Unidos.