Miami (1º de setembro de 2026) — A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) condena o assassinato do fotógrafo e criador de conteúdo Ricardo Zúñiga Rosas, ocorrido em 29 de agosto no município de Tehuitzingo, no estado mexicano de Puebla. A organização hemisférica exige das autoridades uma investigação rápida, completa e eficaz que considere sua atividade jornalística como uma linha prioritária de investigação.
Zúñiga Rosas, de 35 anos, foi baleado dentro de um estabelecimento de sua propriedade. Segundo relatos da imprensa, dois homens que estavam em uma motocicleta chegaram ao local e atiraram contra ele. Posteriormente, ele morreu em decorrência dos ferimentos.
A organização Artigo 19 informou que o fotógrafo havia denunciado ameaças em maio passado, após publicar imagens e informações sobre questões locais e críticas à administração municipal. De acordo com publicações do próprio Zúñiga Rosas nas redes sociais, ele havia recebido advertências para que deixasse de abordar temas políticos e criticar as autoridades locais. Na ocasião, deixou uma mensagem inquietante em suas redes sociais: “Então, pessoal, se alguma coisa acontecer comigo, vocês já sabem”.
As autoridades não estabeleceram publicamente a motivação do assassinato nem determinaram se as ameaças denunciadas tinham relação com o crime. Zúñiga Rosas usava suas redes sociais para divulgar fotografias e informações sobre Tehuitzingo e outros assuntos de interesse da comunidade.
“As ameaças anteriores e a atividade jornalística de Zúñiga Rosas devem ser investigadas com seriedade, sem descartar nenhuma hipótese. É indispensável determinar se seu assassinato esteve relacionado ao seu trabalho jornalístico e esclarecer quem foram os responsáveis materiais e intelectuais”, afirmou o presidente da SIP, Pierre Manigault, do Evening Post Publishing Inc., de Charleston, Carolina do Sul, Estados Unidos.
“Instamos as autoridades federais e estaduais a realizar uma investigação diligente e completa sobre o assassinato de Zúñiga Rosas, preservar todas as linhas de investigação e determinar, sem demora, as responsabilidades materiais e intelectuais, para evitar que o caso se some à impunidade que cerca a maioria dos ataques contra jornalistas no país”, ressaltou Martha Ramos, presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação da SIP e da Organización Editorial Mexicana (OEM).
Os dirigentes da SIP expressaram preocupação com a persistência da violência contra jornalistas e comunicadores no México e lembraram que a impunidade nesses crimes continua sendo um dos principais fatores que favorecem a repetição das agressões. A SIP reiterou que os assassinatos e ataques contra aqueles que exercem atividades jornalísticas ou informativas constituem uma grave ameaça à liberdade de imprensa e ao direito da sociedade de ser informada.
De acordo com os registros da SIP, o assassinato de Zúñiga Rosas soma-se aos ocorridos este ano contra Francisco Alejandro Leyva Aguilar, em 22 de julho, em Oaxaca; Josué Martínez Contreras, em 16 de julho, também no estado de Puebla; e Carlos Castro, em 8 de janeiro.
A SIP é uma organização sem fins lucrativos dedicada a defender e promover a liberdade de imprensa e a liberdade de expressão nas Américas. É composta por mais de 1.300 publicações no Hemisfério Ocidental e tem sede em Miami, Flórida, Estados Unidos.