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Ataques verbais.

A SIP condena as desqualificações do presidente Trump contra mulheres jornalistas

10 de diciembre de 2025 - 12:25

Miami (10 de dezembro de 2025) – A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) expressa sua profunda preocupação com as consequências dos contínuos ataques verbais do presidente Donald Trump contra mulheres jornalistas nos últimos meses. Esse tipo de desqualificação, emitida a partir de uma posição de poder, contribui para fomentar um ambiente hostil ao exercício do jornalismo, põe em risco a integridade das repórteres e enfraquece os princípios democráticos que sustentam a liberdade de expressão.

Nas últimas semanas, o presidente Trump atacou verbalmente, zombou, menosprezou e desqualificou mulheres jornalistas que o questionam sobre assuntos de interesse público, segundo informes da imprensa.

Em diferentes ocasiões, o mandatário norte-americano utilizou diversos insultos para desqualificar mulheres jornalistas, chamando-as de “porquinha”, “estúpida”, “feia por dentro e por fora”, “odiosa” e “péssima repórter”, em referência a repórteres da rede CBS, da agência Bloomberg, do jornal The New York Times e da emissora ABC News, entre outros meios apontados por Trump como parte das “fake news”. Enquanto isso, não houve qualquer pedido de desculpas por parte do mandatário ou de sua equipe de governo, segundo a imprensa.

“As jornalistas têm o direito — e a responsabilidade — de formular perguntas, fiscalizar os governos e exigir prestação de contas sem serem alvo de ataques pessoais, comentários denigrantes ou tentativas de descredibilização”, afirmou Pierre Manigault, presidente da SIP. “Quando essas agressões vêm das autoridades, o impacto é ainda mais grave: enviam uma mensagem de intolerância em relação à imprensa e legitimam condutas de assédio que podem escalar para formas mais graves de violência”, disse Manigault, presidente do grupo Evening Post Publishing Inc., de Charleston, Carolina do Sul, Estados Unidos.

Martha Ramos, presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação da SIP, acrescentou que “a SIP rejeita categoricamente qualquer conduta que busque intimidar ou minar o trabalho de mulheres jornalistas e recorda que a liderança democrática exige respeito à liberdade de imprensa, inclusive — e especialmente — diante de questionamentos críticos”. Ramos, diretora editorial da Organización Editorial Mexicana (OEM), reafirmou a solidariedade da organização “com todas as jornalistas que têm sido alvo de ataques públicos” e reiterou o compromisso da SIP “com a defesa de um ambiente seguro, livre de assédio e discriminação para o exercício do jornalismo”.

Os diretores da SIP recordaram que a mensagem da organização pelo Dia Internacional da Mulher, em março passado, destacou que “nos encontramos diante de um cenário complexo e desafiador. Em vez de consolidar e aprofundar os avanços alcançados, enfrentamos uma onda de retrocessos impulsionada pelo avanço de setores conservadores e pela reorganização de grupos antidireitos”.

Um estudo da ONU Mulheres publicado este mês, “Ponto de ruptura: a escalada alarmante da violência contra as mulheres na esfera pública”, que reúne o testemunho de mais de 6.900 mulheres — entre jornalistas, defensoras de direitos humanos e ativistas — de 119 países, revelou que, em 2025, o percentual de mulheres jornalistas que relacionam ataques físicos fora do ambiente digital à violência online chegou a 42%, mais que o dobro em comparação com 2020.

O relatório concluiu que a violência digital já não é “virtual”: as ameaças online resultam em consequências reais; impedem a participação das mulheres na esfera pública e na imprensa; e corroem a liberdade de expressão.

A SIP é uma organização sem fins lucrativos dedicada a defender e promover a liberdade de imprensa e a liberdade de expressão nas Américas. É composta por mais de 1.300 publicações no Hemisfério Ocidental e tem sede em Miami, Flórida, Estados Unidos.

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