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Ação extrema.

A SIP expressa profunda preocupação com a operação de busca do FBI na residência de uma jornalista do The Washington Post

“A investigação de eventuais vazamentos de informação não pode resultar em ações que intimidem, criminalizem ou inibam o trabalho jornalístico."

15 de enero de 2026 - 08:16

Miami (14 de janeiro de 2026) – A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) manifesta sua profunda preocupação com a operação de busca realizada hoje por agentes do Federal Bureau of Investigation (FBI) na residência de uma jornalista do The Washington Post, no âmbito de uma investigação sobre a suposta divulgação de informações classificadas. A organização hemisférica insta as autoridades dos Estados Unidos a evitarem precedentes que possam ser utilizados para justificar pressões indevidas sobre a imprensa.

O FBI cumpriu um mandado de busca na casa da jornalista Hannah Natanson, correspondente do The Washington Post, na Virgínia, como parte de uma investigação sobre a suposta retenção não autorizada de documentos classificados por um contratante do Pentágono. Durante a ação, foram apreendidos dispositivos pessoais e de trabalho, de acordo com reportagens da imprensa. As autoridades federais defenderam o procedimento por motivos de segurança nacional e de combate a vazamentos de documentos secretos, segundo informações divulgadas pela mídia.

O presidente da SIP, Pierre Manigault, advertiu que “esse tipo de medida, quando envolve diretamente jornalistas no exercício de sua atividade informativa, constitui uma ação extrema que pode violar princípios fundamentais da liberdade de imprensa, em particular a proteção das fontes confidenciais, o sigilo profissional e o direito da sociedade de estar informada sobre assuntos de interesse público”.

Manigault, presidente do grupo Evening Post Publishing Inc., de Charleston, Carolina do Sul, Estados Unidos, acrescentou que “a investigação de eventuais vazamentos de informação não pode resultar em ações que intimidem, criminalizem ou inibam o trabalho jornalístico. A operação de busca na residência de uma jornalista e a apreensão de materiais de trabalho enviam uma mensagem preocupante, capaz de gerar um efeito dissuasório tanto sobre os jornalistas quanto sobre suas fontes”.

Por sua vez, a presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação da SIP, Martha Ramos, lembrou que, “de acordo com a Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos e com os padrões interamericanos de direitos humanos, qualquer interferência estatal no trabalho da imprensa deve cumprir estritamente os princípios de legalidade, necessidade e proporcionalidade, e ser acompanhada de salvaguardas claras para evitar o acesso indiscriminado a informações jornalísticas protegidas”.

Ramos, diretora editorial da Organização Editorial Mexicana (OEM), ressaltou que “o uso de instrumentos policiais ou judiciais contra jornalistas, mesmo sob o argumento da segurança nacional, exige um escrutínio particularmente rigoroso. A proteção das fontes é um pilar essencial do jornalismo independente, e seu enfraquecimento afeta diretamente a democracia”.

Bruce D. Brown, presidente do Comitê de Repórteres para a Liberdade de Imprensa (RCFP, na sigla em inglês), afirmou: “As buscas físicas em dispositivos, residências e pertences de repórteres estão entre as medidas de investigação mais invasivas que as forças de segurança podem adotar. Existem leis e políticas federais específicas no Departamento de Justiça destinadas a limitar essas buscas aos casos mais extremos, pois elas colocam em risco fontes confidenciais muito além de uma única investigação e prejudicam a informação de interesse público em geral… trata-se de uma escalada tremenda nas intromissões do governo na independência da imprensa”.

Em seu mais recente relatório semestral sobre a situação da liberdade de imprensa nos Estados Unidos, a SIP registrou que “em seu segundo mandato como presidente, Donald Trump empreendeu ataques diretos contra a mídia nacional, promovendo uma avalanche de ações judiciais e ataques retóricos, além de encorajar agências federais”.

A SIP é uma organização sem fins lucrativos dedicada a defender e promover a liberdade de imprensa e a liberdade de expressão nas Américas. É composta por mais de 1.300 publicações no Hemisfério Ocidental e tem sede em Miami, Flórida, Estados Unidos.

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