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Crise interamericana.

A SIP reuniu-se com o secretário-geral da OEA para discutir os desafios da imprensa nas Américas

6 de agosto de 2025 - 11:35

Washington, D.C. (6 de agosto de 2025) — Uma delegação da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) realizou uma série de reuniões de alto nível na sede da Organização dos Estados Americanos (OEA), onde expressou preocupação com o grave deterioro da liberdade de imprensa no hemisfério.

O secretário-geral da OEA, Albert Ramdin, recebeu a delegação e ouviu atentamente as preocupações da SIP sobre os crescentes desafios enfrentados por jornalistas e meios de comunicação nas Américas ao desempenharem seu papel informativo.

Representando a SIP estavam seu presidente, José Roberto Dutriz (La Prensa Gráfica, El Salvador); os ex-presidentes Roberto Rock (La Silla Rota, México) e Michael Greenspon (The New York Times, Estados Unidos); a presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação, Martha Ramos (Organização Editorial Mexicana); o presidente da Subcomissão de Jornalismo no Exílio, Juan Lorenzo Holmann (La Prensa, Nicarágua), e o diretor executivo, Carlos Lauría.

Durante o encontro, a delegação da SIP compartilhou dados alarmantes sobre as restrições e ameaças enfrentadas pela imprensa em diversos países da região. Entre os principais problemas destacaram-se o avanço do autoritarismo, o uso indevido do sistema judicial para silenciar vozes críticas, a estigmatização de jornalistas, a violência exercida pelo crime organizado e o preocupante aumento de casos de jornalistas forçados ao exílio ou ao deslocamento interno devido a perseguições e ameaças.

Os representantes da SIP alertaram que esta crise não é apenas persistente, mas também se espalhou geograficamente e corre o risco de se agravar no curto prazo. Também destacaram a falta de mecanismos eficazes de proteção e a impunidade que cerca muitos desses casos. Sublinharam que a polarização política, a intolerância ao dissenso e o enfraquecimento do Estado de direito são fatores que alimentam um ambiente hostil para o exercício do jornalismo livre e independente.

O secretário-geral Ramdin, originário do Suriname, ouviu atentamente as exposições da delegação e valorizou a abordagem construtiva da SIP. Em suas palavras, enfatizou que, sob sua liderança, a OEA promoverá o diálogo inclusivo como principal meio para enfrentar os desafios da região. Afirmou que a solução para os problemas complexos que afetam as democracias do continente — incluindo violência, polarização e falta de prosperidade — requer tempo, vontade política e a identificação de "denominadores comuns" que possam unir diferentes atores.

Ramdin destacou que seu mandato como secretário-geral visa promover a paz e a prosperidade para os povos do hemisfério, em um contexto de estagnação econômica e perda de confiança nas instituições democráticas. "Os desafios são múltiplos e urgentes, mas a única maneira de superá-los é através do diálogo, entendimento e ações coordenadas", afirmou.

A reunião com Ramdin ocorreu após a assinatura de um acordo de cooperação entre a SIP e a Comissão Interamericana de Mulheres (CIM), um organismo especializado da OEA. Este acordo estabelece um quadro de colaboração para o desenvolvimento de projetos conjuntos sobre equidade de gênero e diversidade.

Posteriormente, a delegação encontrou-se com a secretária-geral adjunta da OEA, a colombiana Laura Gil, com quem discutiu tanto a situação estrutural da imprensa na região quanto iniciativas concretas para implementar o acordo de cooperação recém-assinado. Neste contexto, foram exploradas oportunidades para o desenvolvimento de atividades conjuntas visando destacar os desafios enfrentados por mulheres jornalistas, promover treinamentos e articular ações para garantir condições de trabalho seguras para todos os profissionais da comunicação.

A SIP valoriza positivamente o compromisso demonstrado pelas autoridades da OEA e reafirma sua convicção de que somente através do trabalho conjunto entre organizações regionais, sociedade civil e governos democráticos será possível reverter o alarmante declínio das liberdades fundamentais nas Américas.

A delegação reiterou sua disposição de continuar colaborando com a OEA e seus órgãos especializados na defesa da liberdade de imprensa e expressão, fundamentais para a democracia e os direitos humanos.

A SIP é uma organização sem fins lucrativos dedicada a defender e promover a liberdade de imprensa e a liberdade de expressão nas Américas. É composta por mais de 1.300 publicações no Hemisfério Ocidental e tem sede em Miami, Flórida, Estados Unidos.

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