Mensagem de fim de ano do presidente da Sociedade Interamericana de Imprensa

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Jorge Canahuati, presidente do Grupo Opsa, San Pedro Sula, Honduras


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Miami (20 de dezembro de 2020).- A devastação causada pela pandemia atingiu todas as atividades e todas as áreas, mas agora que chegamos ao final do ano, eu gostaria de enfatizar a importância incomensurável do jornalismo independente para os cidadãos e para a democracia em tempos traumáticos e difíceis.

A mídia e o jornalismo profissional talvez não tenham feito nada além do que costumam fazer, como, por exemplo, buscar a verdade, fiscalizar os poderes públicos e privados, promover o debate público sobre temas fundamentais e defender o direito à liberdade de expressão. Mas a pandemia tornou essas contribuições ainda mais importantes, pois o público se voltou em massa para os meios de comunicação como fontes de informações confiáveis e de alta qualidade.

Apesar dessa reaproximação, as empresas jornalísticas sofreram todos os efeitos dos desafios trazidos pela Covid-19, principalmente porque a desaceleração da economia reduziu drasticamente a receita de publicidade. Muitos meios de comunicação locais, de pequeno e médio porte, desapareceram, deixando órfãs comunidades inteiras, que estão agora mais vulneráveis às injustiças e à corrupção. Outros tiveram que reduzir suas atividades para enfrentar a crise, o que impactou seu conteúdo e seu futuro. E quase todos tiveram que investir rapidamente na mudança do seu modelo de negócios para abraçar a transformação digital, contraindo dívidas que comprometem sua sobrevivência.

Abordar a importância da mídia em uma democracia e sua luta para não desaparecer é uma das nossas prioridades. Uma sociedade democrática orgulha-se de possuir instituições cívicas fortes e independentes e uma imprensa robusta exercendo um papel fiscalizador.

Diante dessa situação, acreditamos que os governos devem continuar fornecendo incentivos e apresentando soluções para todos os setores da economia, inclusive a imprensa, que em muitos países foi um setor relegado, para permitir que continue fortalecendo a sociedade em meio à adversidade. Em julho e outubro enviamos uma carta a todos os governos das Américas, que dizia: "Em tempos de crise e de emergência, o jornalismo independente e os meios de comunicação profissionais são essenciais para as nações livres. É responsabilidade das sociedades democráticas garantir sua viabilidade e permanência".

Por isso, reiteramos a nossa satisfação com a atitude do governo do presidente Iván Duque, da Colômbia, por ter sido o primeiro governo americano a incluir um pacote de estímulo na sua Lei do Orçamento, já aprovada para 2021, e que prevê mais de 20 milhões de dólares para incentivos para a transformação digital, para o fortalecimento e a reativação econômica dos meios de comunicação. Estamos também muito gratos ao Partido Cambio Radical, da Colômbia que, por entender a gravidade da situação da mídia, apresentou ao Congresso uma lei que inclui empréstimos e incentivos fiscais e econômicos que contemplam, especialmente, os meios de comunicação regionais. Entendemos que o Partido Liberal, entre outros, se manifestou a favor dessa iniciativa, que seria aprovada no próximo período de atividades parlamentares.

Estamos convencidos de que essas iniciativas dos poderes Executivo e Legislativo da Colômbia, aderindo a medidas técnicas, objetivas e de controle e transparência, e respeitando a independência editorial, poderiam ser adotadas por outros governos da região que também veem o papel preponderante que desempenha o jornalismo profissional e independente na vida democrática.

Acreditamos que é importante também levar esse diálogo a órgãos multilaterais, como o Banco Interamericano de Desenvolvimento, o Banco Mundial e a Corporação Andina de Fomento, entre outros, assim como a organismos que defendem a democracia e a liberdade de expressão, como a Organização dos Estados Americanos e a Comissão Interamericana de Direitos Humanos e sua Relatoria Especial sobre Liberdade de Expressão. Não poderíamos deixar de fora as fundações, organizações não governamentais e as empresas privadas, sabendo que a liberdade de imprensa, a imprensa independente e a democracia são direitos e deveres universais previstos em quase todas as constituições americanas.

A profunda desaceleração causada pela pandemia se manterá em 2021. Os efeitos negativos permanecerão e, em muitos casos, deverão piorar. É nossa responsabilidade sustentar e fortalecer os valores democráticos.

A SIP continuará apoiando o jornalismo e os nossos associados mediante iniciativas de apoio a projetos de desenvolvimento digital, na certeza de que a sobrevivência e o fortalecimento da mídia são requisitos indispensáveis para manter o direito do público a estar informado. E, como sempre, alinhados ao nosso compromisso com os valores democráticos, daremos continuidade à nossa luta incansável, na defesa da liberdade de imprensa e de expressão, como estabelecido nas Declarações de Chapultepec e de Salta.

A SIP é uma organização sem fins lucrativos que se dedica a defender e promover a liberdade de imprensa e de expressão nas Américas. É composta de mais de 1.300 publicações do hemisfério ocidental e tem sede em Miami, na Flórida, Estados Unidos.

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