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Distinções.

Prêmios María Moors Cabot são entregues em Nova York, e Ricardo Trotti é homenageado por sua trajetória

9 de octubre de 2026 - 12:38

Miami (9 de outubro de 2026) — A Universidade Columbia entregou na quinta-feira, em Nova York, os Prêmios María Moors Cabot 2026, em uma cerimônia marcada por alertas sobre a violência contra jornalistas, a persistência da impunidade e as ameaças à liberdade de imprensa nas Américas. Entre os premiados estavam o colombiano Daniel Coronell e a venezuelana Luz Mely Reyes, enquanto Ricardo Trotti, ex-diretor executivo da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), recebeu uma menção especial por sua trajetória na defesa da liberdade de imprensa e por sua luta em favor dessa causa.

Os Prêmios Cabot, concedidos pela Escola de Jornalismo da Universidade Columbia, reconhecem jornalistas e organizações jornalísticas pela excelência de suas trajetórias e pela cobertura do Hemisfério Ocidental que contribua para o entendimento interamericano.

A edição de 2026 também concedeu a Medalha de Ouro à jornalista argentina Leila Guerriero e à norte-americana Kate Linthicum, do Los Angeles Times. Já Jan Martínez Ahrens, diretor do jornal espanhol El País, e David Brooks, colunista histórico do La Jornada, receberam menções especiais por suas contribuições ao jornalismo nas Américas.

Entre os homenageados deste ano, Ricardo Trotti, ex-diretor executivo da SIP, recebeu uma menção especial por seu trabalho em favor da liberdade de imprensa e, especialmente, por seus esforços para denunciar crimes contra jornalistas e exigir justiça para suas vítimas.

Ao receber a distinção, Trotti dedicou a homenagem às famílias dos jornalistas assassinados e lembrou que mais de 500 profissionais da imprensa perderam a vida nas Américas desde 1990.

“Batemos a muitas portas ao lado dessas famílias. Juntos, continuamos buscando justiça. A impunidade prevalece”, afirmou Trotti, que alertou: “A impunidade não é o fim de um crime. É um convite para o próximo”.

Trotti também agradeceu à SIP por manter, mesmo em momentos difíceis para a indústria jornalística, a convicção de que a democracia não pode sobreviver sem liberdade de imprensa.

A cerimônia também homenageou o jornalista colombiano Daniel Coronell, que recebeu o prêmio em nome dos jornalistas investigativos da Colômbia e daqueles que informam a comunidade hispânica nos Estados Unidos.

Coronell relembrou as ameaças de morte que o obrigaram a deixar seu país com a família e denunciou os riscos que os jornalistas colombianos continuam enfrentando, desde a violência física e as campanhas de difamação até o uso de ações judiciais para silenciar investigações jornalísticas.

O jornalista fez um apelo à imprensa norte-americana para que não deixe seus colegas latino-americanos desamparados e dedique mais atenção à situação da comunidade hispânica nos Estados Unidos.

Por sua vez, a jornalista venezuelana Luz Mely Reyes, cofundadora do Efecto Cocuyo, dedicou a homenagem àqueles que têm sustentado o jornalismo independente na Venezuela, dentro e fora do país, apesar da censura, da perseguição e do exílio.

“Venho de um país que vamos reconstruir”, declarou ao iniciar seu discurso, no qual convocou a comunidade internacional a apoiar a recuperação democrática da Venezuela.

Reyes afirmou que apoiar a imprensa que resistiu não é apenas uma obrigação moral, mas também um dever democrático e estratégico. Lembrou que o autoritarismo obrigou muitos jornalistas a ocultar seus nomes e rostos para proteger suas vidas e destacou a importância de reconhecer publicamente aqueles que continuaram informando em condições adversas.

A SIP é uma organização sem fins lucrativos dedicada a defender e promover a liberdade de imprensa e a liberdade de expressão nas Américas. É composta por mais de 1.300 publicações no Hemisfério Ocidental e tem sede em Miami, Flórida, Estados Unidos.

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