A organização pede ao INE que garanta que os mecanismos eleitorais não sejam utilizados para restringir a crítica e a sátira política
A organização pede ao INE que garanta que os mecanismos eleitorais não sejam utilizados para restringir a crítica e a sátira política
Miami (4 de setembro de 2026) – A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) manifestou preocupação com a queixa apresentada pelo partido Morena ao Instituto Nacional Eleitoral (INE), por meio da qual solicita a retirada de publicações e a suspensão da divulgação de conteúdos relacionados a “La Casa de los Mañosos”, uma sátira política gerada por terceiros com o uso de inteligência artificial e posteriormente divulgada em espaços jornalísticos da TV Azteca.
A emissora classificou a iniciativa do Morena, partido no poder, como uma “tentativa de censura” e sustentou que a sátira e a crítica fazem parte do debate público e da liberdade de expressão. A TV Azteca, do Grupo Salinas, também afirmou que continuará investigando e questionando o poder.
O presidente da SIP, Pierre Manigault, afirmou: “O caso levanta questões relevantes sobre os limites da intervenção das autoridades eleitorais diante de conteúdos de caráter satírico, humorístico e crítico, particularmente quando envolvem autoridades e atores políticos”.
Manigault, da Evening Post Publishing Inc., de Charleston, Carolina do Sul, Estados Unidos, acrescentou: “As autoridades eleitorais devem atuar dentro de suas atribuições e com pleno respeito à liberdade de expressão. A crítica, a sátira e o humor político, mesmo quando possam ser incômodos para aqueles que exercem o poder, fazem parte do debate democrático e não devem se tornar objeto de censura institucional”.
Por sua vez, Martha Ramos, presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação da SIP, declarou: “Preocupa-nos qualquer mecanismo que possa acabar restringindo conteúdos jornalísticos ou expressões críticas em razão de seu conteúdo político. O Estado deve garantir um ambiente no qual os meios de comunicação possam informar, investigar e questionar aqueles que exercem o poder, sem receio de que as instituições sejam utilizadas para silenciar essas vozes”.
Ramos, da Organización Editorial Mexicana (OEM), afirmou: “A liberdade de expressão protege especialmente as opiniões, críticas e expressões dirigidas àqueles que exercem funções públicas, ainda que possam ser incômodas, provocadoras ou controversas”.
A organização continuará acompanhando o andamento do procedimento e exortou o INE a garantir que qualquer decisão relacionada a esses conteúdos seja adotada em estrita observância às garantias da liberdade de expressão e da liberdade de imprensa. A SIP reiterou que a crítica ao poder é um componente essencial de uma sociedade democrática e que nenhuma autoridade deve se tornar árbitra do conteúdo das opiniões ou da sátira política.
Nesse sentido, a SIP referiu-se à decisão da Sala Superior do Tribunal Eleitoral do Poder Judiciário da Federação, proferida no final de agosto, que determinou ao INE a eliminação de regras para monitorar discursos indiretos de desqualificação contra candidatos na mídia durante as eleições de 2027, por considerar que careciam de objetividade e poderiam gerar um “efeito silenciador e inibidor sobre o jornalismo livre”. O Tribunal advertiu ainda que essas regras poderiam afetar o direito da população de receber informações plurais e diversas.
A SIP é uma organização sem fins lucrativos dedicada a defender e promover a liberdade de imprensa e a liberdade de expressão nas Américas. É composta por mais de 1.300 publicações no Hemisfério Ocidental e tem sede em Miami, Flórida, Estados Unidos.