Miami (15 de novembro de 2024) - A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) anunciou hoje a criação da Rede Latino-Americana de Jornalismo no Exílio (RELPEX). Esse programa tem como objetivo auxiliar jornalistas em situações de exílio, deslocamento ou mobilidade forçada devido à perseguição de seu trabalho, apoiando a continuidade de suas reportagens e facilitando a troca de informações sobre o assunto. Além disso, a rede apoiará os meios de comunicação que tiveram de transferir suas equipes editoriais para outros países devido à perseguição por regimes autoritários.
Nos últimos anos, a SIP documentou um aumento contínuo no número de jornalistas forçados a se exilar de países como Nicarágua, Venezuela, Guatemala, Cuba e Equador, ou que são obrigados a se mudar dentro de seus próprios países, como no caso do México e da Colômbia. Dezenas de jornalistas latino-americanos são forçados a se mudar ou emigrar devido à violência, ameaças e perseguição por grupos criminosos, funcionários corruptos e governos autoritários. Da mesma forma, vários meios de comunicação foram fechados ou forçados a fechar seus escritórios em seus países de origem, transferindo suas operações para o exterior.
"O compromisso da SIP é com a liberdade de expressão sem limites ou fronteiras. No entanto, toda vez que um jornalista é forçado a se exilar ou a se mudar devido a ameaças à sua segurança, o objetivo daqueles que procuram silenciá-lo é devastadoramente cumprido", disse Carlos Lauría, diretor executivo da SIP.
A Rede foi criada em resposta à questão do exílio e do deslocamento de jornalistas em todo o continente, impulsionados pela disseminação de regimes antidemocráticos. A SIP fez dessa questão uma prioridade e tem trabalhado intensamente desde a criação de um subcomitê de jornalismo no exílio para supervisionar essas iniciativas. O subcomitê é presidido por Juan Lorenzo Holmann, gerente geral do jornal La Prensa na Nicarágua (fechado pelo regime de Daniel Ortega, mas que ainda opera on-line no exterior).
Durante a Assembleia Geral da SIP em outubro passado, a SIP concedeu ao Jornalismo no Exílio o Grande Prêmio de Liberdade de Imprensa de 2024, sua mais alta honraria, em homenagem aos jornalistas e meios de comunicação latino-americanos que, sob extremo risco e adversidade, continuam a defender a liberdade de expressão e seu compromisso com a verdade.
“O jornalismo no exílio é uma prioridade para a organização, dado o agravamento da situação nos últimos anos”, disse o presidente da SIP, José Roberto Dutriz. “Esperamos que essa iniciativa sirva como um veículo para unir forças com organizações que já têm programas criados para apoiar o jornalismo no exílio ou em situações de deslocamento”, acrescentou Dutriz, Presidente e CEO da La Prensa Gráfica em El Salvador.
A RELPEX começou com o financiamento inicial do National Endowment for Democracy (NED) e iniciou a colaboração com a DW Akademie, a UNESCO e o Instituto de Imprensa e Liberdade de Expressão (IPLEX) da Costa Rica, entre outras organizações. Juntos, eles estão desenvolvendo uma plataforma, que estará disponível no site periodismolibre.org, onde os jornalistas em mobilidade podem encontrar informações sobre programas e apoio específicos.
As informações sobre o trabalho da RELPEX também serão compartilhadas nas mídias sociais: no X como @RELPEX, no LinkedIn como RELPEX Red Latinoamericana de Periodismo en el Exilio e no Instagram como @RELPEX_SIP.
Em seu primeiro ano, a RELPEX também lançará um programa de emprego que beneficiará até 10 jornalistas latino-americanos que serão contratados por meios de comunicação nos países para os quais se mudaram.
A RELPEX é coordenada pela jornalista salvadorenha Mariana Belloso, gerente de projetos da SIP para mídia em risco. Os interessados em se inscrever na rede podem preencher um formulário disponível neste link.