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Roteiro.

Inteligência artificial e desinformação: um desafio global que exige respostas coordenadas

As conclusões da última reunião servirão de base para a cúpula de 2026

12 de marzo de 2026 - 06:47

Miami (11 de março de 2026) — A VI Cúpula Global sobre Desinformação, que será realizada nos dias 27 e 28 de maio de 2026, terá como base de seu programa as conclusões do encontro realizado em 2025, resultado do intercâmbio entre especialistas, jornalistas, pesquisadores e organizações de diferentes países que analisaram os principais desafios para a integridade da informação em um contexto marcado pelo avanço da inteligência artificial e pela transformação do ecossistema digital.

Essas diretrizes, apresentadas pelo Comitê Organizador integrado pela Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), pelo Projeto Desconfío e pela Fundação para o Jornalismo da Bolívia, oferecem um roteiro para orientar as discussões e propostas da próxima edição do encontro, com o objetivo de fortalecer as estratégias diante dos fenômenos contemporâneos de desinformação.

1. A desinformação é uma estratégia deliberada, não um acidente digital

Não se trata de “ruído” no ecossistema informativo, mas de táticas organizadas — políticas, econômicas e geopolíticas — que buscam corroer a confiança pública e enfraquecer as democracias. A Cúpula ratifica a necessidade de ações coordenadas para combater a desinformação, promovendo alianças cada vez mais amplas entre os atores.

2. A inteligência artificial redefine o cenário atual

A IA amplia a capacidade de produzir desinformação (deepfakes, automação, escalabilidade), mas também oferece ferramentas para detectá-la e combatê-la. Precisamos de mais transparência nas novas ferramentas que são criadas e programas de aceleração para estabelecer protocolos comuns que facilitem a distinção entre conteúdo sintético e conteúdo humano.

3. A integridade informativa requer financiamento

A desinformação é um problema sistêmico que envolve meios de comunicação, plataformas, anunciantes, reguladores, empresas de tecnologia e academia. A solução requer padrões comuns de transparência, autorregulação e responsabilidade algorítmica.

Elevar o valor da integridade da informação requer melhores incentivos para atingir padrões básicos que permitam separar o conteúdo deliberadamente enganoso da informação confiável. Apela-se às entidades que apoiam o fortalecimento democrático para promover a sustentabilidade das organizações que impulsionam esses padrões e estão contribuindo para consolidar um ecossistema de informação confiável.

4. Defender a verdade implica defender aqueles que a investigam

Jornalistas, investigadores e verificadores enfrentam campanhas de demonização na mídia, assédio digital e ameaças físicas. A solidariedade ativa e a resposta coletiva são condições indispensáveis para sustentar a integridade informativa.

É necessário promover programas com mais impacto e apoio àqueles que promovem ações concretas para desmascarar as campanhas de desinformação e incentivos específicos para impulsionar mais e melhores investigações neste campo.

5. A alfabetização midiática é semear resiliência

A formação de uma cidadania crítica — capaz de questionar quem produz uma mensagem, com que propósito e como verificá-la — é uma estratégia de resiliência a longo prazo. A educação midiática é fundamental para a saúde das democracias.

É hora de impulsionar um compromisso multissetorial que fortaleça os programas de alfabetização midiática com uma visão de médio e longo prazo, garantindo diretrizes sustentáveis ao longo do tempo. As instituições educacionais, em particular, devem assumir um papel ativo e articulado com outros atores sociais para consolidar uma cultura informativa mais crítica e responsável.

6. Não há neutralidade possível diante da falsidade

A defesa da liberdade de expressão não implica tolerar estratégias deliberadas de manipulação. O compromisso deve ser proteger a expressão e, ao mesmo tempo, promover a transparência e a rastreabilidade da origem dos conteúdos. O jornalismo desempenha uma função essencial neste domínio e requer condições que lhe permitam exercer com independência o seu trabalho de escrutínio, prestação de contas e vigilância do poder.

7. A verificação de fatos evolui: do reativo ao proativo

Os pesquisadores concordaram que a verificação de fatos não pode mais se limitar a desmentir falsidades depois que elas se tornam virais. As atividades dos fact checkers devem ser integradas a um modelo multiparadigmático. É necessário avançar para um modelo que combine refutações reativas com estratégias antecipatórias, alfabetização midiática e explicação preventiva de narrativas. O setor está redefinindo a utilidade de rótulos como “falso” ou “enganoso” e os efeitos indesejados de amplificar as falsidades com negações em suas manchetes.

8. Transparência e dados abertos fortalecem a confiança

A comunicação clara, a abertura metodológica e o acesso a informações verificáveis reduzem a vulnerabilidade a narrativas de censura ou conspiração. A opacidade enfraquece; a transparência protege.

9. A cooperação transnacional é imprescindível

As alianças regionais e internacionais são uma condição para antecipar campanhas coordenadas e compartilhar alertas precoces, tecnologia e estratégias que estão funcionando em qualquer parte do mundo. Assim como a desinformação atravessa fronteiras, esta Cúpula nasceu com o espírito de fortalecer uma rede de alianças cada vez mais ampla que responda globalmente a este flagelo. A criação de redes de trabalho colaborativo deve estar no centro das estratégias daqueles que financiam ações contra a desinformação.

10. Passar da reflexão à ação

Essas conclusões representam um claro apelo à ação em todas as áreas aqui mencionadas. É essencial promover a criação de fundos destinados à pesquisa sobre desinformação, com o objetivo de fortalecer a capacidade das instituições, dos meios de comunicação e da comunidade acadêmica de compreender melhor suas dinâmicas e desenvolver respostas eficazes para esse fenômeno. É importante estabelecer parâmetros de transparência nas ferramentas de IA e programas de incentivo para sua adoção responsável, sem perder de vista o papel protagonista dos meios de comunicação como geradores de informação confiável e de qualidade. É hora de promover programas de alfabetização midiática com compromissos multissetoriais que garantam a sustentabilidade a médio e longo prazo. E reforçar a cooperação internacional, fundamental para avançar na integridade da informação e frear a desinformação.

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