29 de julho de 2026
29 de julho de 2026
Muito bom dia.
É uma enorme satisfação dar-lhes as boas-vindas ao SIPConnect 2026. Obrigado por estarem aqui, por terem viajado de diferentes países e por trazerem a este encontro suas perguntas, suas experiências e, sobretudo, sua vontade de contribuir. Durante estes dias, falaremos sobre inovação, inteligência artificial, audiências, sustentabilidade e novos modelos para o jornalismo. Mas, antes de entrarmos nessas conversas, gostaria de descrever o contexto em que elas acontecem. Porque inovar hoje significa responder a um cenário de erosão democrática e de crescentes restrições à liberdade de expressão.
Nós nos reunimos em meio a uma deterioração e a um retrocesso muito marcados da liberdade de expressão em boa parte do continente.
Observamos governos que buscam enfraquecer os mecanismos institucionais de controle; líderes que transformam a imprensa em adversária; campanhas de estigmatização que preparam o terreno para a censura; leis e processos judiciais utilizados para intimidar; vigilância, ameaças, violência e impunidade. Em alguns países, a perseguição é aberta e brutal.
E devemos dizer isso com clareza: os Estados Unidos não estão à margem dessa tendência. A situação da liberdade de imprensa neste país é grave. As pressões contra jornalistas, as ações judiciais contra os meios de comunicação, a retórica hostil, as tentativas de desacreditar a informação independente e as restrições ao acesso à informação constituem sinais que não podemos minimizar. Quando esses fatos ocorrem em uma democracia com enorme influência global, seu impacto ultrapassa as fronteiras. O que se normaliza aqui pode se transformar em justificativa em outros lugares.
Por isso, defender a liberdade de expressão não é uma palavra de ordem cerimonial. É uma tarefa concreta e cotidiana. Ela é defendida garantindo o acesso à informação, protegendo a confidencialidade das fontes, rejeitando a violência, combatendo a impunidade e preservando a independência editorial. Também é defendida pela construção de meios de comunicação viáveis. Um veículo economicamente fragilizado é mais vulnerável às pressões políticas, aos interesses concentrados e à tentação de sacrificar a qualidade para sobreviver.
É nesse ponto que o SIPConnect adquire um significado especial. Inovar não é apenas incorporar uma nova ferramenta ou seguir a última tendência. Inovar é ampliar nossa capacidade de investigar, verificar e explicar. É encontrar caminhos para chegar às comunidades que deixaram de confiar nas instituições. É compreender melhor as audiências sem transformá-las em simples dados. É criar modelos de receita que protejam a autonomia editorial. E é utilizar a tecnologia sem abrir mão do critério humano, da transparência e da responsabilidade.
Nesta sala convivem meios de comunicação de escalas, tradições e realidades econômicas muito diferentes. Essa diversidade é uma força. Ninguém tem todas as respostas. Alguns encontraram novas formas de produzir vídeos; outros estão experimentando com inteligência artificial, modelos de associação, eventos, produtos especializados ou parcerias. O valor do SIPConnect é permitir que compartilhemos não apenas o que funcionou, mas também o que não funcionou. A verdadeira inovação exige curiosidade, mas também humildade.
Quero fazer uma menção muito especial aos jornalistas que hoje nos acompanham e que fazem parte da Rede Latino-Americana de Jornalismo no Exílio, RELPEX. A presença de vocês nos honra e, ao mesmo tempo, nos interpela. O deslocamento forçado de jornalistas e meios de comunicação cresceu até se tornar um dos fenômenos mais graves de nossa região. Centenas de colegas tiveram de se exilar, se deslocar ou transferir suas operações, principalmente a partir de Cuba, Venezuela, Nicarágua, El Salvador, Guatemala e Equador. Por trás de cada número há uma redação desmantelada, uma família separada, uma vida reconstruída e uma audiência que corre o risco de ficar sem informação.
No entanto, esses jornalistas não deixaram de fazer jornalismo. No exílio, continuam investigando, publicando e desafiando os apagões informativos impostos por regimes autoritários. Seu trabalho demonstra que o jornalismo pode ser expulso de um território, mas não necessariamente silenciado. Nossa responsabilidade é garantir que eles não enfrentem essa tarefa sozinhos: devemos oferecer redes profissionais, capacitação, segurança e espaços para que suas vozes continuem chegando às sociedades das quais foram obrigados a sair.
Convido todos vocês, portanto, a aproveitar estes dias com generosidade e espírito crítico. Perguntem, questionem, compartilhem, estabeleçam alianças. Levem consigo ideias concretas, mas também novos contatos e novas convicções. Que cada conversa nos ajude a construir meios mais fortes, mais independentes, mais próximos de suas audiências e mais preparados para enfrentar as ameaças que temos pela frente.
Em nome da Sociedade Interamericana de Imprensa, quero agradecer profundamente a todos que tornam possível o SIPConnect 2026: Google News Initiative, Grupo de Medios Panorama, ABC Color, TV Azteca, Protecmedia, Xalok, Chartbeat, AFP, WordPress VIP, Infobae, Síntesis, Reuters, Personal Redacciones5G, Associated Press, Los Rostros, El Nacional de Paraguay, Knight Foundation, Banreservas, De Último Minuto, Waypoint, Aplay, The New York Times, 24ora, Telemundo, La Silla Rota, Mustang Cloud, Los Tiempos, El Demócrata, El Veedor Digital, Comment News e Hispano Post. O apoio de vocês não apenas permite a realização desta conferência; ele expressa um compromisso concreto com a inovação, a sustentabilidade e o futuro do jornalismo.
Muito obrigado por nos acompanharem. Sejam bem-vindos ao SIPConnect 2026.