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Violência.

A SIP condena o assassinato do jornalista peruano Fernando Núñez

10 de diciembre de 2025 - 12:21

É o terceiro crime ocorrido este ano no Peru em um contexto de grave deterioração da liberdade de imprensa.

Miami (8 de dezembro de 2025) – A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) condena o assassinato do jornalista Fernando Núñez, no Peru, o terceiro ocorrido este ano no país. A organização hemisférica exorta as autoridades a conduzirem uma investigação exaustiva, oportuna e transparente para identificar, capturar e processar os responsáveis pelo crime.

Núñez, jornalista e diretor do portal informativo Kamila TV, e seu irmão David foram interceptados em 6 de dezembro na rodovia Pan-Americana Norte, na região de La Libertad, por indivíduos armados a bordo de um veículo, que abriram fogo contra eles quando se deslocavam de motocicleta após realizarem uma cobertura jornalística na área, segundo informes da imprensa. Fernando Núñez morreu no local em consequência dos disparos, enquanto seu irmão ficou gravemente ferido e permanece internado em estado crítico, de acordo com reportagens jornalísticas.

Núñez também era advogado e secretário de atas da Associação Nacional de Jornalistas (ANP), filial Chepén. A ANP condenou imediatamente o assassinato do jornalista e alertou para a persistência da impunidade nos ataques contra a imprensa no Peru. Além de Núñez, em 2025 também foram assassinados os jornalistas Gastón Medina, em Ica, e Raúl Celis, em Iquitos, casos documentados pela SIP.

O presidente da SIP, Pierre Manigault, expressou sua solidariedade à família de Núñez e a seu irmão David — que luta por sua vida —, e instou as autoridades a conduzirem “uma investigação rigorosa para identificar todos os envolvidos neste grave ato de violência”. Manigault, presidente do grupo Evening Post Publishing Inc., de Charleston, Carolina do Sul, acrescentou que “a impunidade é uma mensagem devastadora para a sociedade e um incentivo para que esses crimes se repitam”.

Por sua vez, a presidenta da Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação da SIP, Martha Ramos, exortou as autoridades a investigarem o crime considerando seriamente as possíveis conexões com o trabalho jornalístico de Núñez, incluindo eventuais represálias por sua atividade informativa. Ramos, diretora editorial da Organização Editorial Mexicana (OEM), destacou que “a sociedade necessita de respostas concretas que devem se traduzir em avanços reais na investigação e justiça para Fernando Núñez, sua família e para o jornalismo peruano”.

O relatório sobre o Peru apresentado na Assembleia Geral da SIP em outubro passado registrou que este ano tem sido um dos piores das últimas décadas para a liberdade de imprensa no país, onde jornalistas foram assassinados, outros receberam ameaças de morte e agressões foram registradas em todo o território nacional.

Em março passado, uma delegação da SIP visitou o Peru e constatou um ambiente cada vez mais adverso ao exercício do jornalismo, que inclui perseguição judicial a jornalistas críticos, campanhas de desinformação a partir do Estado, estigmatização de vozes dissidentes, restrições ao acesso à informação pública e propostas legislativas que ameaçam diretamente as liberdades informativas.

A SIP é uma organização sem fins lucrativos dedicada a defender e promover a liberdade de imprensa e a liberdade de expressão nas Américas. É composta por mais de 1.300 publicações no Hemisfério Ocidental e tem sede em Miami, Flórida, Estados Unidos.

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