Miami (17 de março de 2026) — A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) repudia com firmeza o sequestro no Haiti dos jornalistas Junior Célestin, da Radio Television Megastar, e Osnel Espérance, da Radio Uni FM, ocorrido na última sexta-feira no centro de Porto Príncipe, enquanto realizavam atividades jornalísticas.
De acordo com relatos da imprensa, ambos os jornalistas foram interceptados e levados contra a própria vontade em uma área amplamente controlada por grupos armados, em um contexto no qual gangues dominam vastas áreas da capital haitiana e mantêm a população — incluindo profissionais da imprensa — em situação de extrema vulnerabilidade.
Os sequestros ocorreram um dia após outro ataque contra o jornalista Marvel Dandin, diretor da Radio Kiskeya. Na noite de 12 de março, pelo menos sete homens armados tentaram invadir sua residência no bairro Soisson de Thomassin, em Pétion-Ville, segundo a mídia local.
O presidente da SIP, Pierre Manigault, pediu “a libertação imediata e com vida de ambos os jornalistas, bem como garantias urgentes para sua segurança”. Manigault, da Evening Post Publishing Inc., de Charleston, Carolina do Sul, Estados Unidos, afirmou que a SIP se soma ao apelo dos familiares ao governo haitiano para que “aja com a maior urgência a fim de localizar os jornalistas, garantir sua libertação e levar os responsáveis à justiça”.
Por sua vez, a presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação, Martha Ramos, advertiu que “esses fatos refletem que os jornalistas operam sob ameaças constantes em um ambiente dominado pela violência de gangues, onde são alvo de ataques destinados a silenciá-los, o que constitui uma grave violação à liberdade de imprensa e ao direito da sociedade à informação”. Ramos, diretora da Organización Editorial Mexicana (OEM), ressaltou a necessidade de “reforçar com urgência as condições de segurança para o exercício do jornalismo no país”.
O Haiti, incluído pela primeira vez no Índice Chapultepec de Liberdade de Expressão e de Imprensa 2025, está classificado na categoria de Alta Restrição. O relatório conclui que “a grave crise política, econômica e de segurança que o país enfrenta, com um Estado impotente diante dos crimes, coloca a impunidade em crimes contra a população e a imprensa como um dos principais agravantes… As autoridades não são as principais agressoras do sistema comunicacional, mas não têm conseguido estabelecer limites às gangues”.
A SIP é uma organização sem fins lucrativos dedicada a defender e promover a liberdade de imprensa e a liberdade de expressão nas Américas. É composta por mais de 1.300 publicações no Hemisfério Ocidental e tem sede em Miami, Flórida, Estados Unidos.