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Alarme.

A SIP rejeita intimações judiciais contra jornalistas do The New York Times

13 de julio de 2026 - 11:33

Miami (13 de julho de 2026) – A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) expressa seu mais veemente repúdio à intimação judicial de quatro jornalistas do The New York Times pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, no âmbito de uma investigação relacionada à publicação de informações sobre possíveis vulnerabilidades de segurança no novo avião presidencial.

De acordo com informações públicas, os jornalistas Julian E. Barnes, Eric Lipton, Tyler Pager e Eric Schmitt foram convocados a depor perante um grande júri federal em Manhattan nos próximos dias, após a publicação de uma reportagem que revelou preocupações do Serviço Secreto sobre o uso de um avião doado pelo Catar e adaptado para funções presidenciais. As intimações, que segundo o jornal foram entregues nas residências dos repórteres, ocorrem em um contexto no qual autoridades federais buscam identificar as fontes do vazamento.

O jornal informou que irá recorrer da ordem judicial, que considera um risco para o trabalho dos meios de comunicação de coletar informações de interesse público. Em setembro passado, a SIP também denunciou como um ataque à liberdade de imprensa uma ação movida pelo presidente Donald Trump contra o The New York Times e quatro de seus jornalistas por suposta difamação.

O presidente da SIP, Pierre Manigault, afirmou: “Esse tipo de medida é altamente preocupante, pois envolve diretamente jornalistas em possíveis processos judiciais que podem resultar na revelação forçada de suas fontes confidenciais. Alertamos que essas ações não apenas violam princípios fundamentais do exercício jornalístico, mas também têm um efeito inibidor sobre futuras investigações de interesse público”.

Manigault, presidente do grupo Evening Post Publishing Inc., de Charleston, Carolina do Sul, Estados Unidos, acrescentou: “A intimação de jornalistas pelo conteúdo de seu trabalho informativo representa um sinal alarmante de intimidação institucional. Quando o poder público recorre a mecanismos judiciais para pressionar a imprensa, o sistema de controles democráticos é gravemente enfraquecido e o direito da cidadania de receber informações independentes é colocado em risco”.

A reportagem em questão abordou preocupações legítimas sobre a segurança do avião presidencial, um tema de interesse público que justifica plenamente o escrutínio jornalístico.

“Em vez de garantir transparência, as autoridades optaram por avançar com uma investigação que, na prática, expõe jornalistas a pressões legais para revelar suas fontes”, afirmou a presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação da SIP, Martha Ramos.

Ramos, diretora da Organização Editorial Mexicana (OEM), declarou: “Obrigar jornalistas a comparecer perante um grande júri em casos relacionados à divulgação de informações de relevância pública constitui uma forma de coerção incompatível com os padrões internacionais de liberdade de expressão. A proteção das fontes não é um privilégio do jornalista, mas uma garantia essencial para a sociedade”.

A SIP lembra que tanto a jurisprudência internacional quanto os princípios consagrados na Declaração de Chapultepec estabelecem que jornalistas não devem ser alvo de represálias por investigar e publicar informações relevantes. Da mesma forma, ressalta que o sigilo profissional é um pilar indispensável para assegurar o fluxo de informações sobre assuntos de interesse público, especialmente quando envolvem temas relacionados à segurança do Estado.

Embora as autoridades tenham afirmado que os jornalistas não são o alvo da investigação, a SIP alerta que a simples intimação judicial já constitui uma forma de pressão capaz de desencorajar o trabalho jornalístico e afetar a disposição das fontes em denunciar irregularidades.

No primeiro semestre de 2026, o Departamento de Justiça já havia intimado repórteres do The Washington Post e do The Wall Street Journal a depor perante um grande júri sobre suas fontes de informações confidenciais. Após uma batalha judicial, os veículos conseguiram suspender as ordens e, em ambos os casos, o Departamento de Justiça retirou as intimações, segundo informações da imprensa.

A SIP documentou em seus relatórios semestrais os crescentes desafios enfrentados por jornalistas e meios de comunicação nos Estados Unidos para informar livremente a população sobre as políticas e ações do governo.

A organização também observa com preocupação que este caso se insere em uma tendência mais ampla de tentativas de investigar vazamentos por meio de ações que envolvem diretamente jornalistas, aumentando os riscos para a liberdade de imprensa e para o direito do público de saber.

A SIP é uma organização sem fins lucrativos dedicada a defender e promover a liberdade de imprensa e a liberdade de expressão nas Américas. É composta por mais de 1.300 publicações no Hemisfério Ocidental e tem sede em Miami, Flórida, Estados Unidos.

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