Newsletter
Portugués
  • Español
  • English
  • Portugués
Porta-vozes armados.

Ameaças contra a Caracol representam um grave retrocesso, adverte a SIP

1 de diciembre de 2025 - 14:47

Miami (1º de dezembro de 2025) – A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) condena as ameaças feitas pelas dissidências das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), comandadas pelo indivíduo conhecido como “Calarcá”, contra jornalistas e funcionários do Noticias Caracol, após a divulgação de uma investigação jornalística sobre supostos vínculos entre membros desse grupo armado e altos funcionários do Estado colombiano.

Segundo diversos meios de comunicação nacionais, as ameaças das dissidências das FARC, conhecidas como Estado-Maior de Blocos e Frentes, ocorreram depois que o Noticias Caracol divulgou, em 23 de novembro, um relatório que expôs supostos vínculos entre integrantes dessas dissidências e autoridades do Estado.

A Procuradoria-Geral da Nação confirmou que está analisando dispositivos apreendidos em 2024 que contêm informações de extrema gravidade, de acordo com Caracol. Com base nessas descobertas, o órgão abriu seis linhas de investigação que abrangem a suposta cooptação de agentes de inteligência e membros do Exército por parte das dissidências de “Calarcá”, possíveis ameaças à segurança nacional, eventuais esquemas de financiamento de campanha presidencial, alianças entre atores ilegais e a criação de empresas de vigilância vinculadas a estruturas criminosas.

Segundo a SIP, as declarações divulgadas em vídeo por porta-vozes que participam dos diálogos com o governo, nas quais classificam jornalistas como atores do conflito armado, constituem uma agressão direta contra a liberdade de expressão, uma tentativa de deslegitimar o trabalho da imprensa e uma grave ameaça à vida dos jornalistas.

O presidente da SIP, Pierre Manigault, que dirige o grupo Evening Post Publishing Inc., de Charleston, Carolina do Sul, afirmou que “classificar jornalistas como atores do conflito por cumprirem seu dever profissional é uma forma de intimidação que ameaça a vida de quem informa e corrói os princípios democráticos. A violência ou a ameaça armada jamais podem ser resposta ao trabalho jornalístico, que deve ser exercido livre de pressões, estigmatização e riscos”.

A presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação da SIP, Martha Ramos, diretora editorial da Organização Editorial Mexicana (OEM), afirmou que “nenhum ator armado pode atribuir a um meio de comunicação a condição de inimigo ou ator beligerante como represália pela publicação de conteúdos jornalísticos. Instamos o presidente Gustavo Petro e o Alto Comissário para a Paz, Otty Patiño, a condenarem publicamente essas ameaças e a respaldarem o trabalho jornalístico”.

A Associação Colombiana de Meios de Informação (AMI) exortou o Alto Comissário para a Paz a intervir e chamar à ordem, de maneira clara e imediata, os porta-vozes armados que estão fazendo essas ameaças em meio a um processo oficial de negociação.

Por sua vez, a Fundação para a Liberdade de Imprensa (FLIP) rejeitou categoricamente as acusações dessas dissidências e alertou para o risco máximo em que se encontram as equipes jornalísticas do Noticias Caracol e todos os repórteres que cobrem atividades de grupos armados.

Conforme documentado pela SIP, em regiões da Colômbia grupos armados continuam impondo restrições e hostilidades que deterioram o exercício jornalístico e podem fomentar a autocensura.

A SIP é uma organização sem fins lucrativos dedicada a defender e promover a liberdade de imprensa e a liberdade de expressão nas Américas. É composta por mais de 1.300 publicações no Hemisfério Ocidental e tem sede em Miami, Flórida, Estados Unidos.

Continue lendo

Você pode estar interessado em