SIP condena assassinato de jornalista no Brasil; pede investigação e justiça

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SIP condena assassinato de jornalista no Brasil; pede investigação e justiça


17 jornalistas assassinados em 2016 no México, Brasil, Guatemala, Venezuela, El Salvador e Estados Unidos


Miami (27 de julho de 2016).- A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) condenou o assassinato do jornalista brasileiro João Miranda do Carmo e pediu que as autoridades investiguem o caso detalhadamente para descobrir o motivo do crime, apontar os responsáveis e levá-los à justiça.

Miranda do Carmo, de 54 anos, foi assassinado no domingo, 24 de julho, à noite, no município Santo Antônio do Descoberto, no estado de Goiás. Homens desconhecidos dentro de um carro pararam diante da sua casa e tocaram a campainha. Quando o jornalista abriu a porta, foi morto com sete tiros.


O presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação da SIP, Claudio Paolillo, apresentou suas condolências e pediu que as autoridades pertinentes "façam uma investigação o mais rápido possível".


Paolillo, diretor do semanário Búsqueda do Uruguai disse também que "a investigação e as medidas urgentes e necessárias para identificar os mentores do crime e os assassinos são os melhores instrumentos para evitar a impunidade e a falta de justiça nesses casos de violência".


O jornalista era dono e editor do site de notícias SAD Sem Censura, no qual publicava notícias policiais, sobre violência, corrupção política e a administração e problemas do município. Miranda do Carmo havia recebido ameaças como resultado do seu trabalho. Era também pré-candidato a vereador pelo Partido Comunista do Brasil.


O enteado do jornalista contou à mídia local que Miranda do Carmo havia sofrido inúmeras ameaças de morte, "sempre por causa da profissão que exercia". A Polícia Militar de Goiás disse que no início do ano o carro do jornalista foi incendiado no que parece ter sido um sinal de alerta para que ele parasse de "tocar em certos assuntos".


No relatório sobre o Brasil, apresentado na sua reunião semestral realizada em abril passado, a SIP declarou que: "A liberdade de expressão durante esse último período manteve suas características preocupantes, especialmente em relação a homicídios e agressões".


Neste ano também foram assassinados no Brasil, João Valdecir de Borba, locutor da emissora Rádio Difusora AM, no município de São Jorge do Oeste, Paraná, em 10 de março, e Manoel Messias Pereira, proprietário do site sediverte.com.br na cidade de Grajaú, Maranhão, em 9 de abril.


Outros 14 jornalistas foram mortos nas Américas em 2016. Foram nove no México (Salvador Olmos García, Zamira Esther Bautista, Elidio Ramos Zárate, Manuel Torres, Francisco Pacheco Beltrán, Moisés Dagdug Lutzow, Anabel Flores Salazar, Reinel Martínez Cerqueda e Marcos Hernández Bautista), dois na Guatemala (Álvaro Alfredo Aceituno López e Mario Roberto Salazar Barahona) e um na Venezuela (Ricardo Durán), El Salvador (Nicolás Humberto García) e Estados Unidos (Jay Torres).


A SIP é uma entidade sem fins lucrativos que se dedica à defesa e promoção da liberdade de imprensa e de expressão nas Américas. Congrega mais de 1.300 publicações do hemisfério ocidental e tem sede em Miami, Estados Unidos. Para obter mais informações, acesse http://www.sipiapa.org

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