Miami (5 de janeiro de 2026) – A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) expressou preocupação com uma série de ações de diferentes entidades, incluindo um órgão do Estado equatoriano, que poderiam constituir represálias indiretas contra a Gráficos Nacionales S.A. (GRANASA), empresa editora dos jornais Expreso e Extra.
De acordo com informações públicas divulgadas pela própria empresa e com a comunicação formal apresentada por sua defesa legal, diversas ações de natureza tributária, financeira e societária — uma delas promovida por um órgão dependente do Estado — poderiam estar sendo utilizadas para pressionar ou condicionar a propriedade e a gestão do grupo editorial, afetando diretamente sua liberdade empresarial e, de forma indireta, sua linha editorial.
Em particular, a SIP observa com alarme tentativas da Superintendência de Companhias, Valores e Seguros (SCVS) de reverter a titularidade acionária da GRANASA, apesar de tal titularidade ter sido realizada, registrada e aperfeiçoada de acordo com a legislação vigente há vários anos, segundo afirmou a empresa. Essas medidas geram insegurança jurídica e abrem espaço para uma ingerência indevida na estrutura societária de um meio de comunicação, algo incompatível com os padrões interamericanos de liberdade de expressão.
Em um comunicado público, a GRANASA denunciou o governo do presidente Daniel Noboa por utilizar “todos os esforços e caminhos opacos” para tentar pressionar a empresa com o objetivo de silenciar suas críticas. Segundo o comunicado, em setembro de 2025 a empresa tomou conhecimento de procedimentos tributários iniciados pelo Serviço de Rentas Internas (SRI) relacionados a supostas divergências em declarações fiscais de terceiros vinculados à sua cadeia de distribuição. A empresa solicitou oportunamente acesso à documentação correspondente, sem que até o momento tenha recebido a totalidade das informações solicitadas.
“O uso de uma instituição pública para hostilizar meios críticos é uma das formas mais sofisticadas de censura indireta”, advertiu Pierre Manigault, presidente da SIP. “Quando mecanismos administrativos, tributários ou societários são utilizados para pressionar uma empresa jornalística, não apenas a liberdade de imprensa é violada, mas também a liberdade de empresa, que é uma condição essencial para a existência do jornalismo independente”, afirmou Manigault, presidente do grupo Evening Post Publishing Inc., de Charleston, Carolina do Sul, Estados Unidos.
Por sua vez, Martha Ramos, presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação da SIP, afirmou que “essas ações geram um efeito intimidador que ultrapassa uma única empresa e envia uma mensagem preocupante para o restante do ecossistema midiático do país”. Acrescentou que “afetar a propriedade, a estabilidade jurídica ou a governança de um meio de comunicação é uma forma indireta, porém muito eficaz, de condicionar sua linha editorial e enfraquecer o pluralismo informativo”, disse Ramos, diretora editorial da Organização Editorial Mexicana (OEM).
Em seu último relatório sobre liberdade de imprensa no Equador, a SIP advertiu sobre um “ecossistema midiático marcado por graves violações à liberdade de imprensa”. O relatório destaca que “funcionários do governo de Daniel Noboa utilizaram as redes sociais e canais oficiais para atacar jornalistas e meios de comunicação”. Menciona, como exemplo, o secretário de Integridade Pública, José Julio Neira, que “vinculou os jornais Expreso e Extra a supostos esquemas de evasão fiscal antes da existência de uma investigação formal, o que foi denunciado como uma tentativa de intimidação política”.
A SIP é uma organização sem fins lucrativos dedicada a defender e promover a liberdade de imprensa e a liberdade de expressão nas Américas. É composta por mais de 1.300 publicações no Hemisfério Ocidental e tem sede em Miami, Flórida, Estados Unidos.