Miami (23 de junho de 2026) – A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) rejeita de forma categórica os atos de assédio e represálias contra o jornalista equatoriano Hernán Higuera, da Ecuavisa, como consequência de suas investigações sobre supostos casos de corrupção.
Higuera anunciou em 19 de junho, no telejornal principal da Ecuavisa, sua decisão de se afastar da investigação do chamado caso Progen, após denunciar pressões exercidas por instituições do Estado contra sua esposa e seu filho. O canal também alertou sobre represálias posteriores à cobertura do caso, vinculado a uma empresa com sede nos Estados Unidos e a supostas irregularidades em contratos firmados durante a crise energética de 2024, que envolveriam autoridades governamentais.
Após a divulgação de suas reportagens, o secretário-geral da Administração Pública, José Julio Neira, emitiu um pronunciamento contra Higuera. Além disso, foi denunciado o uso de entidades estatais, como a Agência de Regulação e Controle das Telecomunicações (Arcotel) e o Conselho de Regulação, Desenvolvimento e Promoção da Informação e Comunicação (Cordicom), para exercer pressão sobre o jornalista, em um contexto que evidencia um padrão de intimidação institucional.
O jornalista também apontou como represálias a demissão de sua esposa de uma empresa pública e a suspensão de seu filho da vaga que ocupava como estudante de medicina em um hospital da seguridade social. Essas medidas, dirigidas ao seu entorno familiar, influenciaram diretamente sua decisão de abandonar a investigação.
“O uso de instituições do Estado para assediar um jornalista e tomar represálias contra sua família constitui um abuso de poder e uma violação da liberdade de imprensa. Esse tipo de prática busca instaurar o medo como mecanismo de censura”, afirmou o presidente da SIP, Pierre Manigault, presidente do grupo Evening Post Publishing Inc., em Charleston, Carolina do Sul, Estados Unidos.
Por sua vez, a presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação da SIP e diretora da Organização Editorial Mexicana (OEM), Martha Ramos, afirmou que “é motivo de profunda preocupação que o exercício do jornalismo investigativo possa dar lugar a ações que sejam percebidas como represálias. Em uma sociedade democrática, é essencial que os jornalistas possam exercer seu trabalho sem pressões nem intimidações. Exigimos a cessação imediata dessas ações e garantias efetivas para o exercício livre e independente do jornalismo”.
A Ecuavisa sustentou que as pressões oficiais tiveram como objetivo dificultar as investigações sobre o caso Progen e enfraquecer o jornalismo de fiscalização sobre temas de interesse público.
No caso Progen, o Ministério Público processa 21 pessoas pelo suposto crime de peculato. Segundo as investigações, 104 milhões de dólares de recursos públicos foram destinados à aquisição de geradores de energia para as usinas térmicas de Quevedo e Salitral; no entanto, os equipamentos entregues eram usados, foram recondicionados e não cumpriam os padrões tecnológicos exigidos.
A Federação Nacional de Jornalistas do Equador (FENAPE) e a Fundação Andina para a Observação e Estudo de Meios (Fundamedios), entre outras organizações, também rejeitaram o assédio e as represálias dirigidas contra o jornalista e sua família.
Os dirigentes da SIP lembraram que a utilização de mecanismos estatais para pressionar, intimidar ou punir jornalistas por seu trabalho investigativo viola princípios fundamentais da liberdade de expressão e contraria padrões internacionais de direitos humanos.
A SIP é uma organização sem fins lucrativos dedicada a defender e promover a liberdade de imprensa e a liberdade de expressão nas Américas. É composta por mais de 1.300 publicações no Hemisfério Ocidental e tem sede em Miami, Flórida, Estados Unidos.